Encarado pelo mercado como o fiel da balança no leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o grupo franco-belga Suez diz que ainda não bateu o martelo sobre sua participação na concorrência. O presidente da Suez no Brasil, Maurício Bahr, afirmou que o grupo está debruçado sobre as informações já liberadas pelo governo, mas ainda vê grandes incertezas no projeto.

Na visão do governo, a participação da Suez poderia garantir maior competição ao leilão.

"Estamos estudando o edital, as questões ambientais... Estamos fazendo o dever de casa", disse Bahr, em conversa com o Estado após cerimônia de lançamento da nova marca da Eletrobrás, na noite de anteontem. Embora haja sinais de que a empresa tenha sido procurada pelos consórcios formados para a disputa, Bahr reforçou que ainda não há acordo com qualquer grupo.

Segundo ele, o principal entrave à participação na obra está nas incertezas geradas pela construção dos canais artificiais no caminho para a casa de força. Bahr preferiu não detalhar o assunto, mas o projeto dos canais já foi criticado por outros especialistas, diante da magnitude da obra e de incertezas geológicas. Cada canal terá 35 quilômetros de extensão, com a escavação de 220 milhões de metros cúbicos de terra e rochas.

A atuação da Suez no caso vem sendo acompanhada com lupa pelo governo, que gostaria de ter um terceiro consórcio na disputa pela usina, orçada em R$ 19 bilhões. Até agora, dois grupos manifestaram interesse: o primeiro é formado, por enquanto, pelas construtoras Odebrecht e Camargo Correa; o segundo, por Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia, e Votorantim. Outras companhias, como Braskem e Alcoa, disseram avaliar o projeto.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse anteontem que a estatal está preparada para apoiar um terceiro consórcio. "Até a madrugada do dia 20 (de abril) serão aceitas propostas", afirmou. A Eletrobrás previa lançar hoje uma chamada pública para parcerias no leilão, na qual oferecerá ao mercado sociedade com suas quatro principais empresas.

Um dos principais geradores de energia do mundo, a Suez tem hoje participação em dois grandes projetos hidrelétricos no País: Estreito, no Tocantins, e Jirau, em Rondônia. "Ambas estão com orçamento estourado", comenta o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde de Castro, para quem a empresa terá dificuldades de convencer a matriz a entrar no projeto.

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