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Stora Enso prepara oferta por fatia da Aracruz na Veracel

A fragilidade da Aracruz, às voltas com um prejuízo bilionário provocado por operações malsucedidas com derivativos cambiais, despertou a cobiça dos concorrentes estrangeiros. A Stora Enso, maior produtora de papel do mundo, estuda fazer uma oferta pelos 50% que a Aracruz possui na Veracel, fábrica de celulose instalada no Sul da Bahia.

Agência Estado |

Executivos envolvidos na operação falavam ontem numa proposta de aproximadamente US$ 2 bilhões, valor ainda sujeito a ajustes. Se a negociação for adiante, a Stora Enso, que já é dona de metade da Veracel, passará a controlar sozinha a empresa.

Além da Stora Enso, os grandes interessados na concretização do negócio são os bancos que têm mais de US$ 2 bilhões para receber da Aracruz, por conta das operações com derivativos. Eles têm pressa para receber. Parte dos bancos credores da Aracruz, encabeçados pelo JP Morgan, faz força para que ela venda à Stora Enso sua parte na Veracel, pegue o dinheiro e quite sua dívida com eles. A Aracruz, porém, tem outra idéia em mente: continuar na Veracel e brigar para arrancar dos bancos um prazo de dez a quinze anos para liquidar o débito, além de conseguir uma redução nos juros. Para assessorá-la na negociação, até agora sigilosa, a Stora Enso contratou os bancos de investimentos Itaú BBA, UBS e Pátria.

Para a Stora Enso, um grupo sueco-finlandês, o controle da Veracel é estratégico. Ela pretende aumentar sua presença em países do Hemisfério Sul, onde os custos de produção são menores. Como as dificuldades financeiras da Aracruz ameaçam emperrar os planos de ampliação da Veracel, livrar-se do sócio problemático e assumir o negócio pode ser o caminho para garantir os novos projetos da fábrica de celulose. Procuradas, a Stora Enzo e a Aracruz preferiram não se pronunciar a respeito do assunto.

O futuro dessa negociação está amarrado ao destino da dívida da Aracruz. A renegociação entre a empresa e os bancos credores começou oficialmente ontem. Até então, os advogados das 13 instituições financeiras credoras dedicaram-se à avaliação dos contratos e das operações. A partir de agora, entram na pauta a discussão de prazos e condições de pagamento.

Uma das idéias dos bancos, segundo executivos envolvidos na renegociação da dívida, é emprestar dinheiro à Aracruz para que ela pague ao menos parte da dívida dos derivativos. Os empréstimos seriam feitos por meio de operações de pré-pagamentos de exportações - uma espécie de pagamento adiantamento de exportações que a Aracruz ainda deverá fazer. Para avaliar as atividades operacionais da Aracruz, os bancos credores contrataram a Alvarez & Marsal, um escritório especializado na reestruturação de empresas.

O desastre nas operações com derivativos cambiais mudou o cenário de reestruturação que vinha se desenhando para o setor de papel e celulose. O principal lance dessa nova etapa seria a união da Votorantim Celulose e Papel (VCP) com a Aracruz, o que criaria a maior fabricante global de celulose.

O controle da Aracruz, hoje, é dividido entre o grupo Votorantim, a família Safra e a família Lorentzen. Pelo acordo, que deveria ter sido assinado no começo de outubro, a Votorantim iria comprar a participação dos Lorentzen por R$ 2,7 bilhões. Haveria, ainda, uma troca de ações que a família Safra tem na Aracruz com ações da Votorantim na VCP. Como resultado, a Aracruz passaria a ter seu controle dividido pela Votorantim e pelos Safra, em partes iguais. Depois dos prejuízos com os derivativos cambiais, a operação foi suspensa.

Votorantim e Safra, que depois da fusão sonhavam crescer com a compra de rivais internacionais, agora correm o risco de ver seus planos alterados pela mudança no jogo de forças no setor. Se a Stora Enso fizer sua oferta e conseguir dobrar a Aracruz, fazendo-a vender sua fatia na Veracel, vai crescer dentro do quintal da VCP. Procurada, a VCP preferiu não se pronunciar.

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