RIO - O prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê que a crise financeira atual será longa e profunda, principalmente nos Estados Unidos, onde há uma tendência de aumento da poupança e de queda da demanda. Todas as forças vão na direção de uma retração econômica muito séria, disse Stiglitz, que participou da conferência da Associação Mundial das Agências de Promoção e de Investimento (Waipa, na sigla em inglês), no Rio de Janeiro. Stiglitz comparou a previsão feita por ele com afirmações colhidas ontem no mesmo evento, em que representantes de diversos governos se mostraram otimistas em relação a uma recessão profunda, mas rápida. O trabalho de um funcionário público é fazer as pessoas se sentirem bem. O funcionário público quer que a economia do país seja forte, o que tem como pré-requisito a confiança, e isso significa que ele (funcionário público) tem que ser otimista, ponderou.

"Economistas fazem isso de forma mais profissional. Faz parte da nossa natureza ser mais pessimista", acrescentou.

Para o ex-presidente da Bolsa de Nova York William Donaldson, a recessão atual nos países desenvolvidos traz boas e más notícias.

O lado bom da crise é que ela abre espaço político para correções nos níveis de transparência e regulação dos mercados e das ferramentas usadas no sistema financeiro. "Algumas vezes as coisas não são feitas na democracia até que você esteja na beira do abismo", disse Donaldson.

A má notícia é que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o nível de alavancagem médio volte a patamares aceitáveis na economia norte-americana.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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