Londres, 23 jan (EFE).- O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz acredita que a economia dos Estados Unidos pode estar ainda pior que a do Reino Unido, país que entrou hoje oficialmente em recessão ao anunciar uma queda de 1,5 de seu PIB, a segunda trimestral consecutiva.

Em alusão à quase quebra da Islândia, Stiglitz explica que não é apropriada a brincadeira que fala de Londres como "Reykjavik sobre o Tâmisa" e afirma que "o que ocorreu aqui é uma versão mais ligeira, mas também mais transparente do sucedido nos EUA".

Em declarações ao jornal "The Independent", Stiglitz afirma que o Reino Unido não tem, por exemplo, o problema do setor imobiliário dos Estados Unidos e acrescenta que apesar da indústria de serviços financeiros ter um maior papel na economia britânica do que nos EUA, em ambos países a quebra do setor bancário tem "grandes ramificações".

O Reino Unido "pode estar inclusive em melhor situação para enfrentar a crise" porque Estados Unidos "seguem tendo problemas com tudo o que sejam nacionalizações", acrescenta o professor da Universidade de Columbia.

Os EUA, segundo Stiglitz, "estão na mesma posição em que estava o Reino Unido quando o Governo britânico gastou 26 bilhões de libras para resgatar o banco Northern Rock".

"Acho que os Estados Unidos podem ter que gastar US$ 2 trilhões até terminar por perceber que não há outra alternativa e que o Governo deve intervir de modo significativo".

Muito mais pessimista que Stiglitz sobre o Reino Unido se mostrou ontem o líder da oposição conservadora, David Cameron, quem advertiu em discurso que o país se expõe a uma quebra e a ter que pedir resgate ao Fundo Monetário Internacional.

"Se continuarmos o caminho de irresponsabilidade fiscal dos trabalhistas, em algum momento -que pode ocorrer muito em breve- vai a acabar o dinheiro", disse Cameron, que criticou o crescente endividamento público sob o Governo de Gordon Brown. EFE jr/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.