Brasília, 20 - O aumento dos custos de produção vai reduzir o plantio de algodão em Mato Grosso, principal Estado produtor do País, na safra 2008/09, disse hoje o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O ministro disse que haverá uma pequena redução na área plantada no Estado.

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Sérgio de Marco, avaliou que a queda na área plantada será de 15% no Mato Grosso. Na média do Brasil, haverá recuo de 10%. Eles participaram na manhã de hoje da reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Algodão e Derivados, em Brasília.

Além do aumento dos custos de produção, os preços de venda da pluma no mercado internacional não estimulam o plantio, disse o representante da Abrapa. Stephanes explicou que o quadro é ainda mais complicado para os produtores do Mato Grosso, onde os problemas de logística dificultam o escoamento da safra. "Na Bahia, os custos de produção são menores e a logística é melhor", disse o ministro. A Bahia é o segundo maior Estado produtor de algodão do País. O ministro esclareceu ainda que "não é fácil" substituir as lavouras de algodão por causa da estrutura que envolve a cultura, incluindo máquinas específicas.

Diante das dificuldades, Stephanes garantiu que o governo vai continuar apoiando a comercialização da safra de algodão. Durante a reunião, a iniciativa privada pediu ao governo apoio para 100% do volume que será produzido na safra 2008/09. Hoje, o apoio representa 60% da produção. O apoio à comercialização é feito por meio de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). Esse programa demandou R$ 550 milhões neste ano. Para 2009, o pedido é para liberação de R$ 550 milhões.

Mesmo com a decisão do governo de manter o apoio à comercialização, o representante da Abrapa não descarta a possibilidade de redução na área plantada. Isso porque, explicou ele, muitos produtores podem optar pela soja. "A soja já chegou a ser cotada a US$ 16 por bushel em Chicago, mas agora está a US$ 13,50 por bushel", afirmou. "Se a cotação voltar para US$ 16, a soja será uma alternativa", afirmou. Ele informou ainda que os produtores colheram 80% das lavouras, trabalhos que estão atrasados em pelo menos 30 dias.

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