Tamanho do texto

Londres, 10 dez (EFE) - A agência de classificação de riscos Standard & Poors revisou hoje para baixo, de positivo até estável, as perspectivas para a companhia petrolífera russa Lukoil devido ao enfraquecimento da indústria russa do petróleo.

"A revisão das perspectivas reflete as condições de deterioração da indústria petrolífera da Rússia, que deixa pouco potencial de melhora à Lukoil" no prazo dos próximos 12 a 18 meses, segundo a analista da S&P Elena Anankina.

A agência explica que baseia a revisão nas expectativas sobre o preço do petróleo nos mercados internacionais no médio prazo, e acrescenta que, no curto prazo, a Lukoil sofrerá de maneira clara o impacto da rápida queda do preço do barril.

A curto prazo, segundo a S&P, a companhia russa sofrerá uma queda no lucro e no "fluxo de caixa", afetada por problemas de liquidez gerados pela fraqueza dos preços dos produtos russos e pela pouca solvência dos consumidores russos.

A agência faz referência também à "piora do clima econômico" na Rússia, que levou à recente revisão, também em baixa, da qualificação dos fundos soberanos do país.

"Apesar de esperarmos que os resultados do terceiro trimestre de 2008 serão razoavelmente favoráveis, no quarto trimestre e início de 2009 a Lukoil enfrenta pressões significativas sobre seu lucro e seu 'fluxo de caixa", acrescentou a Standard & Poor's.

O principal fator de risco para a companhia russa, que não abandonou sua intenção de comprar 20% da companhia petrolífera hispano-argentina Repsol YPF, é sua exposição ao entorno de mercado russo e principalmente a "um elevado e em transformação sistema tributário dependente do petróleo".

A S&P aponta também para o rápido aumento das tarifas reguladas do transporte e da eletricidade, à inflação derivada de um rublo sobrevalorizado e ao funcionamento das instituições da Federação Russa como fatores de risco.

A agência destaca que a dívida da Lukoil, avaliada em US$ 11,3 bilhões em junho de 2008, aumentará até o final do ano devido aos altos gastos anuais de capital e às aquisições previstas, que serão financiadas com novas linhas de crédito e o acordo com os vendedores para adiar os pagamentos.

Alheia a isso, a Lukoil assinou hoje um memorando de entendimento com a estatal argentina Enarsa e a privada Pobater dentro da visita à Rússia da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

"Esperamos que o memorando de entendimento assinado hoje com as companhias argentinas facilite o desenvolvimento da cooperação mutuamente beneficente entre Rússia e os países latino-americanos", assegurou Vladimir Nekrasov, primeiro vice-presidente da Lukoil.

O memorando contempla a possibilidade de a Lukoil fornecer derivados do petróleo como o gasóleo à Enarsa e usar as infra-estruturas da Pobater para o armazenamento de hidrocarbonetos.

EFE fpb/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.