BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira que os spreads bancários chegaram a patamares inimagináveis, inadmissíveis para um país que precisa de crédito para crescer. Segundo ele, recentemente houve reduções nas taxas de juros cobradas pelos bancos, mas o movimento é insuficiente e incompatível para uma expansão dos investimentos.

De acordo com o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nesta quinta aos bancos públicos que liderem o processo de redução do spread bancário para tornar o custo do crédito mais barato. Spread é a diferença entre a taxa paga pelos bancos na captação dos recursos e a taxa cobrada no empréstimo ao cliente.

Em reunião pela manhã no Palácio do Planalto, o presidente recomendou aos dirigentes de todos os bancos públicos (BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Central, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia) que agilizem a liberação das operações de crédito, segundo Mantega. "O presidente quer que os bancos sejam mais rápidos na liberação do crédito", disse.

O ministro assegurou que os bancos públicos continuarão aumentando o volume de oferta de crédito, mas reconheceu que ainda falta crédito no Brasil. Segundo ele, o crédito externo, em parte, está voltando, mas ainda não plenamente. Ele observou que há mais demanda no mercado interno porque empresas que tomavam crédito externo hoje tem de recorrer ao mercado doméstico.

BNDES

O ministro da Fazenda confirmou um aporte de R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme havia sido antecipado na segunda-feira pela Agência Estado. Os recursos, segundo o ministro, virão de títulos públicos e também do superávit financeiro, que é resultado das despesas previstas no orçamento e que não foram gastas e também de receitas maiores do que o estimado.

Segundo Mantega, 70% dos recursos colocados à disposição do banco serão remunerados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 2,5% ao ano, enquanto para os 30% restantes o BNDES vai pagar ao Tesouro a taxa de captação externa do próprio Tesouro. O ministro lembrou que a última captação de 10 anos do Tesouro saiu a 6,19% ao ano.

De acordo com Mantega, o BNDES havia solicitado R$ 50 bilhões ao Tesouro para execução de um programa de R$ 116 bilhões em investimentos. "Estamos dando os R$ 50 bilhões que eles pediram e mais R$ 50 bilhões. Com isso, eles terão R$ 166 bilhões de reais para aplicar em 2009", disse sem dar maiores detalhes.

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