A secretária de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo, Dilma Pena, quer que os Estados sejam ouvidos a respeito do plano de contingência que o governo federal anunciou para a eventualidade de a crise na Bolívia comprometer o abastecimento de gás no Brasil. Nós não conhecemos o plano do governo federal.

Os Estados têm de ser ouvidos, até porque eles têm a função constitucional de distribuir o gás", declarou Dilma.

Ela disse que, desde o ano passado, vem defendendo perante o governo federal a necessidade de ser feito com todos os Estados um debate sobre o plano de contingência, "de forma clara e transparente". "Como será alocado o gás disponível entre as concessionárias dos Estados? Nós não sabemos." A secretária afirmou não discutir que a prioridade, em caso de escassez, deva ser dada a consumidores residenciais e comerciais e para serviços coletivos, como hospitais. " Mas, para outros setores, tem de haver discussão. O setor industrial paulista já consome mais gás do que petróleo."

Segundo Dilma Pena, o fornecimento de gás a São Paulo já está normalizado, após o susto da semana passada, quando danos em uma válvula de um gasoduto na Bolívia reduziram pela metade o envio do combustível ao Brasil. "A situação foi contornada. Mas o quadro na Bolívia é instável", observou.

A secretária avalia que a crise financeira internacional, agravada pela concordata do banco americano Lehman Brothers, deverá afetar os investimentos em infra-estrutura no Brasil por causa da menor flexibilidade no crédito. "Os financiamentos, hoje, estão menos disponíveis do que há dois meses. Isso é um fato concreto, que chegará à infra-estrutura."

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