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Foram quatro meses que valeram por nove. No primeiro quadrimestre de 2010, a cidade de São Paulo conseguiu criar mais de 95 mil empregos - marca que, em 2009, foi atingida somente no mês de setembro.

Foram quatro meses que valeram por nove. No primeiro quadrimestre de 2010, a cidade de São Paulo conseguiu criar mais de 95 mil empregos - marca que, em 2009, foi atingida somente no mês de setembro. Vale lembrar que, no ano passado, o mercado de trabalho se recuperava de uma grave crise econômica. Mas nem isso tira a força do avanço que a capital registrou na criação de vagas em 2010. Foi o segundo melhor quadrimestre em dez anos. Os números de São Paulo são uma das faces do "crescimento chinês" que a economia brasileira vem registrando nos últimos tempos. O mercado estima uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Em um cálculo anualizado - ou seja, assumindo que o ritmo se manteria pelo resto do ano -, seria o equivalente a crescer 10,2% em 2010. "Quando uma economia se desenvolve com um modelo exportador, acaba gerando empregos em outros países também. Mas quando se trata de um crescimento focado no mercado interno, como o que vem ocorrendo agora no Brasil, o reflexo que isso traz ao emprego é mais intenso e direto", afirma José Dari Krein, professor de Economia da Unicamp. São Paulo, a maior cidade do País, retrata essa pujança. A cada dia de 2010, a cidade abriu em média 798 vagas - quase 60% delas no setor de serviços. O ritmo acelerado de abertura de postos de trabalho já provoca até apagão de mão de obra em alguns setores, em especial na construção civil. "Mas hoje não se pode mais dizer que a falta de profissionais qualificados é algo exclusivo desse ou daquele setor", declara Sérgio Amad, professor de relações trabalhistas da FGV-SP. "Empresas de todas as áreas estão com dificuldade para contratar trabalhadores especializados. Principalmente profissionais de nível técnico." Para Amad, a situação atual é explicada pela falta de investimento, por parte do governo, na criação e na valorização dos cursos e dos profissionais técnicos. "O Brasil é o País do doutor. Quem resolve estudar, pensa logo em fazer faculdade para conseguir um diploma, ainda que o curso seja de má qualidade", opina o professor da FGV-SP. "Com essa mentalidade, criamos um buraco no mercado de trabalho." Mas nada que seja insolúvel. Há vários cursos de curta e média duração que capacitam profissionais técnicos das mais diversas áreas - da construção à gastronomia. E a relação custo benefício é boa. Em média, depois de dois anos de estudo, o profissional já consegue se candidatar a vagas cujos salários variam entre R$1 mil e R$ 4 mil. Mas quem quiser conquistar uma vaga, deve correr para se preparar a tempo de conseguir pegar carona no bom momento da economia. "Os postos de trabalho vão continuar surgindo, mas é possível que o ritmo atual de geração de vagas arrefeça um pouco até o fim do ano", avisa Bolívar Godinho, economista e professor da Fundação Instituto de Administração (FIA). São vários os motivos que levam Godinho a fazer esse prognóstico. O fim de benefícios fiscais (como isenção do IPI para carros e eletrodomésticos) deve desacelerar as vendas da indústria. Além disso, a população, já endividada, deve ter menos fôlego para continuar consumindo. E por fim, com o objetivo de combater a inflação, o governo deve anunciar ainda nesta semana um aumento da taxa básica de juros da economia (Selic). "Mas ainda que haja uma diminuição dos ritmos de contratação, continuará a haver espaço para profissionais qualificados no mercado", afirma Godinho. <i>As informações são do Jornal da Tarde.</i>

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