O megainvestidor George Soros propôs ontem em Davos que os países ricos criem US$ 1 trilhão em dinheiro, por meio da moeda referencial do Fundo Monetário Internacional (FMI), para ajudar países pobres e emergentes afetados pela crise iniciada no mundo desenvolvido. A sugestão de Soros, apresentada em conferência à imprensa durante o Fórum Econômico Mundial, é de que os recursos sejam criados como Direitos Especiais de Saque (DES, a moeda do FMI) alocados para os países ricos, que os doariam e emprestariam a emergentes e pobres, com monitoramento do FMI.

"É hora de usar os DES", exortou Soros.

O investidor manifestou preocupação com o fato de muitos emergentes não terem os mesmos instrumentos dos desenvolvidos para combater a crise, como a garantia para o sistema bancário e as políticas anticíclicas de expansão fiscal, com gastos do governo e corte de impostos.

Soros citou o Brasil como um dos países emergentes pegos no contrapé pela crise global. "O Brasil estava indo razoavelmente bem", disse. Até o momento em que foi subitamente atingido com a fuga de capitais da periferia para o centro, o que levou o real a se desvalorizar em 40%. "Os emergentes estão enfrentando sérios ventos contrários", disse o investidor.

Ele acrescentou que particularmente aqueles que dependem de commodities, como o Brasil, são vítimas do processo de formação e estouro de uma bolha especulativa. Ele citou o petróleo, que em menos de dois anos saiu de US$ 70 o barril para US$ 140, e recuou para US$ 40. E também mencionou o minério de ferro, cujo preço "despencou" recentemente.

Para Soros, uma eventual recapitalização provavelmente virá quase toda do setor público. O investidor tem uma posição sobre o critério de banco bom ou banco ruim, utilizado em alguns países (Brasil inclusive) para tornar viável a recapitalização pelo setor privado. No modelo tradicional, ele observou, o "banco ruim" fica com os ativos deteriorados e o "banco bom" fica com o capital (e o que houver de ativos aproveitáveis). A sua sugestão é que o banco ruim fique também com o capital, e o banco bom seja recapitalizado pelo setor privado.

Em relação a seus investimentos, Soros disse que voltou da aposentadoria no ano passado, no momento em que identificou uma "superbolha detrás de todas as bolhas". "Fui capaz de proteger o meu capital e ter um retorno satisfatório em tempos difíceis", disse concluindo que, numa situação como a atual, "estar em território positivo é uma conquista".

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