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Sondagem da CNI mostra pior trimestre em 10 anos

SÃO PAULO - Confirmando o que já tinha sido registrado ontem pela indústria paulista, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou há pouco os dados da Sondagem Industrial com os piores dados trimestrais dos últimos 10 anos. Além de o índice que mede a produção ter ficado abaixo de 50 pontos no quatro trimestre de 2008, o que significa queda, a marca de 40,8 pontos é a menor desde o primeiro trimestre de 1999.

Valor Online |

O desempenho representa uma baixa de 17 pontos na comparação com o terceiro trimestre de 2008 e de 18,2 pontos na comparação com a sondagem feita um ano antes.

"A falta de demanda passou a ser um dos principais problemas enfrentado pela indústria", avalia a CNI em seu relatório, lembrando que, mesmo com redução da produção, os níveis de estoque estão acima do planejado. O índice de evolução de estoques de produtos finais no trimestre foi de 53,5 pontos, sendo que números acima de 50 indicam estoques indesejados. Nas grandes empresas, esse índice avançou para 56,2 pontos, recorde histórico da série.

O índice que mostra evolução no número de empregados ficou em 44 pontos, abaixo da linha divisória dos 50 pontos e o menor desde 1999. Além disso, o patamar é 10,9 pontos inferior ao verificado no terceiro trimestre. Isso interrompe um ciclo de nove trimestres consecutivos de evolução do emprego industrial. Vale notar que no âmbito das expectativas para os próximos seis meses, o índice em relação ao emprego recuou para 40,5 pontos, o menor em 10 anos.

Apenas cinco setores aumentaram o número de empregados no quarto trimestre, com destaque para Bebidas (índice 59,8 pontos) e Limpeza e Perfumaria (59,2 pontos). A indústria extrativa e o restante dos 27 setores da indústria de transformação considerados reduziram o número de empregados no trimestre, sendo que um dos segmentos mais afetados foi o de Veículos Automotores (34,1 pontos).

Na consulta às condições financeiras de mercado, a insatisfação dos empresários é latente. O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional caiu mais de 4 pontos percentuais, para 40 pontos, menor nível desde o primeiro trimestre de 2007, quando teve início esta série. A insatisfação é maior nos setores de Borracha e Couros (ambos com índice de 31,0 pontos) e Álcool (31,7 pontos). Quando questionados sobre a situação financeira, o índice caiu de 50,8 pontos para 46,4 pontos.

O índice de condições de acesso ao crédito mostra forte aumento na dificuldade para obtenção de financiamentos. O índice em questão situou-se em 32,4 pontos, um recuo de 10,2 pontos na comparação com o terceiro trimestre e de 15,2 pontos na comparação com o quarto trimestre de 2007. A dificuldade atingiu empresas de todo porte, mas especialmente as médias e grandes empresas, categorias em que o índice caiu para 29,8 pontos e 32,2 pontos, respectivamente.

Pessimismo com o futuro
Pioraram também as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses. Dirigentes de empresas de todos os portes e segmentos mostraram pessimismo e a maioria dos setores pesquisados espera queda na demanda de seus produtos, nas compras de matérias-primas, no número de empregados e nas suas exportações. "Essas expectativas irão sem dúvida afetar o investimento e a produção futuros. Dessa forma, espera-se a continuidade da atual tendência de queda da atividade industrial", comenta a CNI em sua nota.

O índice de expectativa de evolução da demanda caiu 13,8 pontos em relação ao último trimestre e ficou em 39,7 pontos. Em todos os portes de indústria os índices encontram-se abaixo de 50 pontos, ou seja, com expectativa de recuo da demanda. Dentre os setores, Veículos Automotores, Máquinas e Equipamentos, Metalurgia Básica e Máquinas e Materiais Elétricos são os mais pessimistas (abaixo de 31 pontos).

Com a ponta de consumo desaquecida, a previsão de compra de matéria-prima também despencou de 51,1 pontos em outubro para 38,9 pontos nesta Sondagem, o menor patamar desde 1999. Além da indústria extrativa, 25 setores da indústria de transformação esperam reduzir suas compras de matérias-primas nos próximos seis meses, em especial os setores Veículos Automotores, Borracha e Metalurgia Básica, todos com índices inferiores a 30 pontos.

Continua também o pessimismo em relação às exportações, apesar da valorização do dólar. O índice de expectativa de evolução das vendas externas recuou de 48,4 para 41,7 pontos, atingindo seu menor nível desde janeiro de 2002. Apenas três setores não esperam quedas em suas exportações: Refino de Petróleo, Álcool e Farmacêuticos.

(Valor Online)

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