Som pode ser comprimido por motivos estéticos Por Marcus Vinícius Brasil São Paulo, 08 (AE) - Se você for um dos fãs do Metallica que ouviram o novo álbum da banda, Death Magnetic, e acharam o som achatado e alto demais, não se assuste. O problema não está no seu fone de ouvido ou nas caixas de som.

O disco foi feito para soar assim mesmo.

O efeito é resultado de uma técnica chamada de "compressão" (não confunda com a compressão do arquivo MP3, explicada no texto acima), utilizada para diminuir a diferença entre volumes de uma música, além de deixá-los um pouco mais altos. "Os picos são comprimidos e o som fica mais uniforme", diz o produtor musical Fabio Neves, o FZero, do grupo Gerador Zero.

Mas se usado de maneira extrema, como foi o caso do Metallica, o efeito faz com que sutilezas e pequenas variações - que enriquecem o resultado final - simplesmente desapareçam, e as músicas soem muito mais barulhentas.

O método é criticado pela maioria dos produtores, mas no caso da banda californiana, que queria voltar à sua estética tosca dos anos 80 no novo álbum, talvez a solução tenha sido apropriada.

"Na maioria das vezes, o excesso de compressão distorce e arruína o áudio. Em outras, esse pode ser o objetivo do artista", afirma o produtor musical Dudu Marote.

Como o formato digital tornou a manipulação de arquivos mais simples, essa técnica começou a ser utilizada pelas gravadoras para aumentar cada vez mais o volume das músicas, e com isso chamar a atenção do público. O problema é que o sacrifício transformou as faixas em verdadeiros blocos sonoros, extremamente pobres em detalhes.

A corrida pela música mais alta ganhou até um apelido: "Loudness War" ("Guerra do Volume" em inglês). O nome foi dado por especialistas que notaram o aumento de amplitude com o passar dos anos.

Alguns fãs indignados com o caso de Death Magnetic fizeram até uma petição online pedindo para que o álbum fosse masterizado novamente, para deixá-lo menos "achatado".

O estúdio responsável pelo disco afirma que não o entregou dessa maneira, e que deixá-lo extremamente alto foi decisão da própria banda - que preferiu não comentar o assunto.

GUERRA INVISÍVEL - Mas não são todos os produtores que concordam que exista uma guerra do volume. "Isso foi uma moda dos anos 90, que veio com a explosão do hip hop nos Estados Unidos", diz Marote. "Todos os grandes produtores que conheço preferem manter as diferenças de volume, a chamada ‘dinâmica’. Se alguém abrir mão disso, é porque quer mesmo um som distorcido. Ou então porque é burro."
Para o produtor Leo Breanza, a "guerra do volume é uma bobagem. Com a evolução tecnológica e o surgimento do CD, que possui qualidade muito superior do que a dos velhos discos de vinil, novas técnicas surgiram e o som se tornou mais cristalino", o que causaria diferenças no espectro sonoro.

Além do Metallica, alguns artistas da música eletrônica também são adeptos da compressão extrema. Grupos como o Justice, a principal atração do festival Skol Beats deste ano, são conhecidos por utilizar a técnica para fazer com que suas músicas soem distorcidas ao extremo. Para FZero, "nesse caso, em que a proposta é fazer a música soar como um radinho de pilha, até dá para engolir", ironiza.

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