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BRASÍLIA - Apesar da expectativa de maior produção mundial e da ligeira queda de preços da soja, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que a commodity continuará a pressionar a inflação. Nem mesmo o crescimento da produção em uma safra será suficiente para equilibrar oferta e demanda, evitando que os preços sigam em alta, diz a entidade.

Em documento divulgado hoje sobre custos do grão, a CNA recomenda aos sojicultores que mantenham o otimismo para o segundo semestre de 2008. Os fundamentos continuam altistas, com demanda crescente e estoques apertados, diz.

O estudo destaca que até meados de abril, as cotações da soja atingiram os melhores níveis desde 2004, tanto em reais quanto em dólar americano. Caíram cerca de 20% no mercado internacional e 17%, no Brasil, nesse caso influenciados pela valorização cambial e a comercialização de 90% da safra passada. Mas tiveram recuperação e se mantêm estáveis, segundo os analistas.

O movimento altista das cotações futuras nas bolsas de valores foi interrompido, tendo como fator principal o anúncio de projeções 18% acima do esperado para a safra americana 2008/2009, segundo a CNA.

Os custos de produção continuam em alta, tendo variado entre 22% e 54,2% para o plantio da safra atual, em relação à anterior, segundo a entidade. A pressão principal foi nos preços das matérias-primas e fertilizantes, que aumentaram 136%. Nas principais regiões produtoras da oleoginosa no país, a CNA constatou que os custos de produção, até junho, vinham crescendo mais que as cotações da soja.

Como exemplo é citado o caso de Sorriso, no Mato Grosso, onde a soja vendida até maio teve valorização de 28,7%, na média, sobre a safra passada. Enquanto os preços dos adubos cresceram 94% no período.

O levantamento cita ainda que os fertilizantes vêm atingindo preços internacionais recordes por menor oferta de matérias-primas, crescimento da demanda, em especial por países como China e India, e as cotações recordes do petróleo. Esse quadro foi agravado ao fim de abril quando a China, um dos grandes produtores mundiais, aumentou em até 135%, a taxação sobre embarques de fertilizantes.

Por isso, o executivo da CNA para a área de cereais, José Schereiner, teme que haja queda de produtividade na próxima safra brasileira. Com os preços dos fertilizantes em alta, muitos produtores cogitam reduzir a quantidade de insumo no solo, comentou.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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