O socorro financeiro do Banco do Brasil às montadoras, oficializado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai ser feito mediante a concessão de empréstimos vinculados à taxa de juros de referência do mercado interbancário (CDI) e com as carteiras de crédito das empresas como garantia. Os R$ 4 bilhões injetados no setor automobilístico substituem o dinheiro que as empresas captavam das fontes do exterior, que secaram com a crise.

Essa ajuda, segundo a equipe econômica, é fundamental para evitar que o ciclo de expansão do setor (que envolve uma enorme cadeia produtiva) se interrompa, provocando redução de produção, férias coletivas e até mesmo demissões. Em outubro, como primeiro sinal da crise de crédito, as vendas caíram 11% em relação a setembro, mas a queda na produção ainda foi pequena - apenas 1,3%. O temor do governo é que, se o problema do crédito não for revertido, os planos de produção sejam mais afetados, causando uma espiral negativa para a economia.

"O setor automobilístico é movimentado por crédito. Nosso desafio é impedir que ocorra interrupção do ciclo e manter o ritmo de atividade de modo que não haja demissões nem férias coletivas", disse o ministro da Fazenda. "Em uma situação de crise como esta, é importante ter banco público, porque ele fica mais sólido e pode ajudar com mais financiamento."

Segundo ele, a ajuda do BB às montadoras não se fará pela compra direta das carteiras de crédito, como ocorreu com os empréstimos consignados de outros bancos, mas por financiamento a preços de mercado. O BB só assumirá alguma parte da carteira de crédito caso alguma empresa deixe de cumprir seus compromissos, o que é considerado improvável.

Há quem veja, entretanto, segundas intenções na ajuda do BB às montadoras. Esse socorro financeiro poderia ser uma janela pela qual a instituição consolidaria uma posição nesse mercado de crédito para automóveis, que tem alta garantia.

O BB tem hoje uma carteira de R$ 6 bilhões em financiamentos de veículos, volume considerado pequeno para o tamanho da instituição, e sempre manifestou o propósito de aumentar sua fatia nesse mercado.

Se a preocupação fosse apenas com o crédito, dizem alguns críticos da medida, o governo deveria ter estendido o socorro às pequenas e médias financeiras e não ter se concentrado nos bancos das montadoras.

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