O diretor da Chesf, José Ailton de Lima, afirmou que os 18 sócios da usina Belo Monte já discutem os preços de obras e turbinas

O diretor da Chesf, José Ailton de Lima, afirmou na noite desta sexta-feira, em coletiva à imprensa, que os 18 sócios da usina Belo Monte, no rio Xingu (PA), já discutem de forma intensa os preços de obras e turbinas. "Estamos em plena negociação com as construtoras e fornecedores de equipamentos", afirmou. Lima assegurou que mantém negociações com quatro grandes grupos de construtoras e outros quatro fortes consórcios capazes de produzir turbinas no Brasil. "Não há preferência por ninguém. Tem espaço para todo mundo, mas tem que ter qualidade e preço e, acima e tudo, condições de oferecer garantias", afirmou o diretor da Chesf, subsidiária da Eletrobras.

Segundo Lima, as empreiteiras são: Andrade Gutierrez sozinha; Camargo Corrêa e Odebrecht, em parceria; Queiroz Galvão e OAS; e Contern, Cetenco, Galvão Engenharia, Mendes Junior, Serveng e J. Malucelli Construtora. Já os quatro fornecedores são: grupo europeu com a Alstom, Voith Siemens e Andritz - todas já com presença no País; a empresa argentina Impsa; e além de outros dois grupos, um do Japão e outro da Rússia. De acordo com Lima, o consórcio entregou hoje à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o cronograma de obras que estava faltando. A informação foi confirmada pela assessoria do órgão regulador.

O executivo da estatal disse ainda que os empreendedores pretendem iniciar em setembro a construção do canteiro de obras, assim que obter Licença de Instalação (LI) provisória. "Mantemos reuniões semanais [sobre questões ambientais] para agilizar a liberação das licenças", afirmou. Os empreendedores de Belo Monte pretendem concluir em novembro os estudos sobre os alojamentos e acampamentos dos trabalhadores para obter a LI definitiva. O objetivo é iniciar a construção de fato da usina em abril.

De acordo com a regra do leilão, 70% da energia gerada serão destinados às 27 distribuidoras credenciadas pela Aneel ao preço de R$ 77,97 por megawatt-hora (MWh). Já os participantes do grupo vencedor na condição de autoprodutores, que geram energia para consumo próprio, terão 10%. Os 20% restantes serão destinado ao ambiente de negociação livre, que proporcional maior lucratividade aos empreendedores ao vender energia aos grandes consumidores, geralmente, ligados à indústria. Desde a fase de habilitação dos empreendedores, o grupo consagrado vencedor no leilão vem tentando abreviar os prazos estabelecidos pela agência.

O objetivo das empresas é antecipar a assinatura dos contratos de concessão e, por consequência, o início da construção do canteiro de obras da usina. Se for cumprida a previsão de iniciar a operação da usina em seis meses, como já foi anunciada pela Eletrobras, toda a energia gerada em Belo Monte poderá ser destinada ao mercado livre até de 2015 - prazo máximo estabelecido em contrato para início do fornecimento do mercado regulado.

O valor atual da energia negociada no ambiente livre é superior a R$ 100 por MWh. Lima afirmou ainda que somente com um ou dois anos de obras, quando a construção começar a ganhar ritmo, será possível avaliar se o início da operação da usina será antecipado ou não. "Sabemos da importância da antecipação. Será ela que vai também antecipar a geração receita." (Rafael Bitencourt | Valor)

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