O principal argumento dos credores no processo de falência da Eletronet é que a empresa, apesar de ter sido criada com 51% de participação da americana AES e 49% da Eletrobrás, é uma empresa pública. O principal argumento para isso é que a AES foi afastada da gestão após deixar de fazer os aportes previstos em contrato e, quando foi declarada a autofalência da companhia, quem estava no seu comando era a Lightpar, empresa da Eletrobrás.

Caso esse argumento vingue, o processo de falência da Eletronet deixará de existir, porque uma estatal não poderia ter feito o pedido de autofalência. Dessa forma, o governo arcaria com as dívidas.

O Nelson dos Santos, que comprou a participação da AES por R$ 1, ficaria com uma empresa saneada, pronta para ser vendida, ou poderia acabar vendendo a sua participação de volta ao governo.

As dívidas da Eletronet estão em cerca de R$ 800 milhões. A Furukawa e a Alcatel Lucent, que forneceram equipamentos e cabos para a operadora, têm cerca de 80% do total. A caução exigida pela Justiça seria usada para cobrir a dívida.

Segundo Domingos Refinetti, advogado da Furukawa, ainda não foi depositada a caução. "Não constam dos autos nem a caução nem a posse das fibras para o governo."
A Eletronet tem uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas, que cobrem 18 Estados. Várias operadoras privadas estudaram a compra da Eletronet, sem fechar negócio. "Estivemos analisando a aquisição muito tempo atrás, antes de eu voltar para o Brasil", afirmou Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica.

Valente assumiu o comando da operação brasileira há três anos. Anteriormente, foi presidente da subsidiária peruana da Telefônica. Segundo ele, o negócio não foi para a frente porque a situação era complicada.

"Digo isso pelo processo de falência", explicou o executivo, acrescentando que não tem conhecimento das implicações políticas divulgadas nos últimos dias. Para Valente, a possibilidade de usar a infraestrutura da Eletronet para ampliar a oferta de banda larga no País é "muito positiva, pelo menos em termos técnicos".

Ele disse que a Oi, a Embratel, a Intelig e a GVT (que comprou a Geodex) têm redes nacionais comparáveis à rede da Eletronet, mas hoje é muito difícil avaliar a situação da rede da operadora falida.

Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, afirmou que "a Eletronet não era considerado um bom negócio desde que foi criada, há 10 anos".

Segundo o consultor, isso decorre do valor que precisaria ser pago às empresas da Eletrobrás pelo direito de uso da infraestrutura, caso o governo deixasse de ser acionista da empresa. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.