Para quem procura uma vaga no mercado de trabalho, a ideia de um apagão da mão de obra pode não fazer muito sentido. “É uma grande incógnita”, diz o químico industrial Jaime Rodrigues dos Santos. Com 23 anos de experiência, ele busca recolocação desde outubro de 2010. “Dizem que faltam profissionais qualificados, mas como isso acontece se tantas pessoas com boa formação não encontram trabalho?”
Segundo especialistas, essa aparente contradição é exatamente o que define o apagão da mão de obra. “De um lado, há um grande contingente de pessoas procurando emprego. Do outro, as empresas seguem em busca de profissionais qualificados”, diz Luiz Edmundo Rosa, diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).
Levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 69% dos empresários têm dificuldades para contratar funcionários, principalmente para cargos técnicos e especializados. Ao mesmo tempo, 6,4% da população economicamente ativa do Brasil está desempregada – quase 1,5 milhão de pessoas, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seis capitais do País em abril.
O Ministério do Trabalho divulga na tarde desta segunda-feira os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A expectativa é que tenham sido gerados mais de 200 mil empregos formais, com carterira assinada no País neste período. No acumulado do ano o número de postos formais criados no mercado de trabalho deve ultrapassar a marca de 1 milhão. No mês de abril foram gerados 272 mil vagas.
Formação x mercado de trabalho
Segundo especialistas, a maior dificuldade é casar a formação dos candidatos com as exigências das empresas. “Às vezes a escolha por formação é mal direcionada e não leva em conta as necessidades do mercado de trabalho”, diz Luis Hartmann, especialista em recrutamento e seleção.
Entre as carreiras de nível superior, o destaque é a falta de engenheiros em praticamente todas as áreas, que muitas vezes é suprida com a importação de profissionais. “De um total de 424 mil pessoas estudando engenharia no Brasil, apenas 48 mil se formam por ano. Isso indica que a carência de profissionais vai continuar” diz Edmundo Rosa. Segundo estimativa da CNI, o País precisaria formar pelo menos 60 mil engenheiros por ano para atender à demanda do mercado. Enquanto isso, o curso de administração é o campeão de popularidade no País: 1,1 milhão de pessoas fizeram matrícula para esta graduação em 2009.
Mas esse descasamento não se restringe à formação superior. Segundo a gerente de atração e seleção de pessoas da Vale, Renata Romeiro, o Brasil ainda valoriza muito o diploma universitário, mas deixa de investir em técnicos, o que vai na contramão do mercado. “Temos milhares de oportunidades de nível técnico, mas muitas vezes não é possível identificar o profissional com perfil adequado”, diz.
Falta de investimentos
Para Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp e especialista em relações do trabalho, “o crescimento da economia brasileira pegou o País, as empresas e a sociedade de surpresa”. Desde 1980, empresas e governo deixaram de investir em qualificação profissional, em especial de nível técnico. O resultado é que hoje faltam torneiros mecânicos, armadores para construção civil e azulejistas, por exemplo.
Diante desse quadro, restam poucas alternativas às empresas a não ser ampliar investimentos para contratar, treinar e reter mão de obra. Nos últimos cinco anos, a Vale capacitou 70 mil funcionários. Em 2011, a mineradora planeja contratar 14 mil pessoas, mil a mais que no ano passado.
“Investir no pessoal da empresa é melhor e mais barato. Faz muito mais sentido treinar um funcionário para determinada função que ficar seis meses com uma vaga em aberto procurando alguém para contratar”, diz Edmundo Rosa, da ABRH. Além de programas de capacitação dentro das empresas, ele afirma que iniciativas em parceria com universidades também costumam ter bons resultados.
Boa formação não basta
O rápido avanço tecnológico observado nos últimos anos trouxe mudanças importantes para todas as áreas – do agricultor que passou a operar máquinas para realizar a colheita de cana ao engenheiro que se vê às voltas com complexos programas de computador para fazer seus projetos.
“Às vezes o profissional tem uma formação de primeira linha, mas isso já não basta. A busca por atualização e especialização tem de ser constante para quem quer uma recolocação profissional”, diz Hartmann, especialista em recrutamento. Cursos de pós-graduação e mestrado não necessariamente são o melhor caminho. “Às vezes as aulas são muito teóricas e agregam pouco valor ao desempenho profissional”, afirma Carina Budin, sócia-gerente da empresa de recrutamento Asap.
Idade e salário também pesam
Ferdinando Credidio, executivo da área financeira: algumas empresas preferem profissionais mais novos
Mesmo quando o currículo é bom e a atualização é constante, pode não ser tão simples conseguir recolocação profissional. Para Ferdinando Credidio, executivo da área financeira, algumas empresas preferem profissionais mais novos. “Tenho 50 anos de idade. Estão surgindo oportunidades, mas quem tem até 40 anos costuma receber um número maior de convites para entrevistas”, diz. Há cinco meses em busca de uma vaga, ele conta que encontrou algumas ofertas, mas nenhuma adequada a seus objetivos profissionais. “A missão e estratégia da empresa precisam ser avaliados”, afirma Credidio.
O salário também pode ser um problema. As pesquisas mostram que áreas mais carentes de mão de obra, como engenharia, possuem os melhores rendimentos. Segundo levantamento da Catho Online, das dez profissões que tiveram maior aumento salarial no último ano, sete são ligadas à engenharia, com alta de até 38%. Mas o dia a dia de quem procura novo emprego pode ser um pouco diferente.“Já cheguei a receber uma proposta para trabalhar na mesma função e com as mesmas atribuições, mas ganhando metade do meu antigo salário”, diz Jaime, químico industrial. “Assim fica difícil”, diz.
A falta de mobilidade entre diferentes segmentos também constitui um empecilho para a contratação de mão de obra. “Ainda existe preconceito em empresas com relação a contratar funcionários tecnicamente habilitados, mas que têm a maior parte de sua experiência em outras áreas”, afirma Gutemberg Macedo, consultor de recolocação. A experiência de Jaime, que possui 23 anos de experiência nos setores de mineração, siderurgia e portos confirma isso: “Fiz entrevistas em empresas de outros setores e a resposta era sempre a mesma: ‘Seu currículo é ótimo, mas vamos fechar com um profissional que já é da área’”, conta.
Para Hartmann, especialista em recrutamento, mesmo com as dificuldades o mercado continua aquecido. “As empresas continuam crescendo e seguem buscando profissionais. Fazem investimentos para selecionar, treinar e reter talentos.”, diz. “Isso só reforça a ideia de que as empresas querem profissionais qualificados e há vagas. Agora é a hora de correr atrás”, completa.
Se todas estas vagas fossem preenchidas o que aconteceria? Que perspectiva existiria a quem está chegando ao mercado de trabalho? \n\nPrecisa-se manter o mercado saturado de profissionais, estabilizar os custos de empresas e instituições e prover mão de obra barata para os próximos anos, assim, ficarão assegurados os desmandos governamentais, os lucros das multinacionais e uma das maiores cargas tributárias do mundo. Simples... \n\nTodo mundo feliz, menos a população. Do jeito que Brasília gosta.
Responder comentário | Denunciar comentárioA Forma de contratação tem sido injusta para algumas pessoas, hoje as empresas contratam somente pessoas com experiencias, boa aparencia de boa formação e outros, esquecendo-se que o empregado só vai adquirir experiencia se entrar no mercado de trabalho, então compete aos empregadores, terem uma nova forma de visão trabalhista e deixar que o pessoal que esta formando entre no mercado competitivo.
Responder comentário | Denunciar comentáriobom no meu ponto de vista as empresas estão exigindo muito conhecimento , em relação as pessoas que buscam vagas em empresas.\nE é por essas coisa que mão de obra está precaria .
Responder comentário | Denunciar comentárioA reportagem disse tudo, as empresas e os empresários exigem demais e querem profiissionais prontos e novos, querem milagre, tipica atitude de empresas de terceiro mundo, só pode ser ignorancia da classe empresarial ou então é falsa a informação de que tem muita vaga e poucos profissionais qualificados, falta visão, falta atitude, falta investimentos das empresas, falta experiencia de empresarios de paises desenvolvidos que não esperam cair do céu para terem lucros.. quando essas empresas começarem a perder mercardo para as que tem visão empreededoracomo a vale elas acordam, mas aí já vai ser tarde...
Responder comentário | Denunciar comentárioO mercado de trabalho brasileiro sempre foi hipócrita e elitista.\nNa verdade o que prevalece são CARGOS e não vagas de emprego.\nDesde o Brasil Colônia, o QI (quem indica) prevalece nas contratações.\nNos nossos dias, as cargos existentes nas grandes empresas, são políticos e de conveniência, ou seja, não necessariamente para empregar pessoas relacionadas à classe politica,mas, filhos, parentes de um grande cliente da empresa, atendendo exigências e pacotes de fornecedores( ao invés de comissões (propinas), fornecesse CARGOS DE CONFIANÇA, etc. \nO que sobram são vagas daqueles que efetivamente irão tocar as empresas, mas, desgraçadamente, os salários são pouco atrativos visto que grande parte do orçamento do RH já está comprometido com os tais CARGOS !!!!!!!\nNas Multinacionais então, a coisa é mais dissimulada !!!\nVem com esse papo de que não há mão-de-obra especializada no Brasil.......\nTrata-se apenas de uma justificativa esfarrapada para a "importação de profissionais das matrizes" que na verdade não tem mais função no país de origem, mas os Cargos precisam ser preservados a qualquer custo pelos motivos expostos anteriormente.
Responder comentário | Denunciar comentárioOs empresários querem pessoal especializado, mas não querem pagar salários decentes. Esta é a razão de haverem dificuldades de contratação, apesar de existirem muitos profissionais disponíveis. Tudo isso aí é choradeira de empresário avarento.
Responder comentário | Denunciar comentárioGostaria de saber qual foi o motivo do meu comentário não ser colocado sobre este assunto.
Responder comentário | Denunciar comentárioLi todas os comentários é exatamente oque ocorre comigo e que eu penso. Achava que o mundo estava de ponta cabeça .Quero ilustrar o meu pensamento. Em uma empresa que trabalhei via os "garotões" do jeitinho que as empresas querem, ineficientes, conversado o tempo todo ao celular, fazendo corpo mole sem nenhum conhecimento técnico do assunto e se achando os donos da verdade, pessoas bem mais jovem que eu sem até disposição física estavam sempre cansados, eu com o dobro da idade dando 'banho" na rapaziada. Outro fator , e que não possuem um pingo de respeito e humildade.Já aconteceu por diversas vezes eu ajudá-los em determinadas tarefas ou esclarecendo algum assunto pertinente ao trabalho e estes tomarem a ideias para si ou seja sem nenhuma ética.\n Já que esse nosso Brasil é dividido em cotas, separa uma para os quem tem mais de 40 anos. Já fiz essa sugestão para presidente Dilma pelo blog do planalto.
Responder comentário | Denunciar comentárioO mercado de trabalho esta ruim, ruim mesmo. As informações de vagas podem ser verdade contudo há uma retenção nas decisões até que haja a entrevista. Depois desta, mais um monte de tempo aguardando uma resposta e não é raro sequer tê-la. Esse problema de idade até que havia acabado no final do tempo de Lula e agora a moda é importar estrangeiros para funções estratégicas no Brasil. Há até aqueles que vem tentar a sorte (como reportado) e essa baita sorte, lhe garante um emprego aqui. Eu acho que espaço há para todos mas o Brasil carece de regularidade profissional e aqui temos muitos. Se há deficiência de qualificação o governo tem obrigação de melhorar isso. Aqueles mesmo qualificados, que buscam uma oportunidade agora tem não só o vizinho para disputar uma vaga, tem todo o mundo possível na disputa. Teremos que ter uma grande sorte, sorte não comum aos brasileiros.
Responder comentário | Denunciar comentárioTambem acho que o paiz está passando por um momento de apagão, porque as empresas querem profissionais experientes e ao mesmo tempo jovens, sendo que tem muita gente com mais idade e muita coisa para ensinar a essa nova geração que estão "doidinho" para aprender.\nPorque não aproveitar o momento bom de crescimento e juntar ou mesclar todos por uma boa causa. Assim todo mundo sai ganhando.\nDessa forma as organizações irão ganhar preparando os mais novos e ao mesmo tempo tambem buscar a perpetualidade.\nAbraços e boa sorte a todos.
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