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Sob pressão, Wall Street procura o divã

A crise financeira espalhou o baixo-astral em Wall Street. Muitos executivos financeiros estão apertando o cinto e até encarando um divã, para entender como seu mundo de apartamentos na Park Avenue e Ferraris reluzentes desmoronou.

Agência Estado |

"Só na semana passada, vieram cinco pacientes novos", conta o psicólogo Alden Cass, especialista em executivos de Wall Street.

Segundo Cass, muitos dos banqueiros estão com ataques de pânico, insônia e sintomas de stress. Muitos perderam tanto dinheiro que querem mudar de profissão. "Eles acham que o mercado não vai se recuperar nunca mais", diz Cass, autor do livro Bullish Thinking: The advisors guide to surviving and thriving in Wall Street (algo como Mentalidade de alta: Guia para sobreviver e prosperar em Wall Street). "Estão todos com uma mentalidade de baixa (bearish) sobre a vida, nunca vi tão deprimidos, nem depois do estouro da bolha da internet em 2001."

A cidade de Nova York deve perder mais de 165 mil empregos, incluindo 35 mil no setor financeiro, por causa da crise, segundo estimativa da prefeitura. "Infelizmente, os acontecimentos das últimas semanas prenunciam um cenário econômico muito mais difícil no curto prazo", escreveu em relatório Frank Braconi, economista-chefe da Secretaria de Finanças da cidade. Com a queda da arrecadação, por causa dos prejuízos de muitas empresas, a prefeitura espera um déficit de orçamento de pelo menos US$ 2,3 bilhões em 2009.

Mesmo quem não perdeu o emprego está se preparando para uma época de vacas magras - relativamente. "Nós cortamos a faxineira, a babá passará a vir só três vezes por semana e não faremos mais viagens tão caras", conta a mulher de um executivo de banco de investimentos. Seu marido acha que o bônus deste ano virá 50% menor. Mas a família está insegura, não sabe qual será o futuro do banco onde ele trabalha.

A mulher acha que será até saudável a família ficar mais consciente em relação aos gastos. "Ninguém vai ficar pobre, mas vamos começar a pensar antes de gastar. Chegou a um ponto em que todo mundo estava comprando TV de plasma nova sem precisar, e em vez de consertar a impressora jogava fora e comprava outra."

O assunto domina até festas e papos de bar. "Você já está liquidando seus investimentos?" é a frase mais ouvida em reuniões sociais de Nova York.

Os aluguéis de iates para eventos caíram 30%, conta Frank Giordano, da Associação de Donos de Iates. "Os bancos desapareceram, não estão alugando mais nada", diz Giordano. Agora, em vez de alugarem um iate para entreter clientes a US$ 100 por cabeça, eles se limitam a levá-los para jantar. "E olhe lá", diz Giordano. O aluguel de jatinhos também está em baixa.

Na Quintessential Jets, empresa de aluguel de jatos, o movimento caiu de 20 a 30 reservas por mês para 3 ou 4. O aluguel de um jatinho de Nova York para Miami, por exemplo, sai por US$ 15 mil - só de ida.

Até o setor imobiliário de alto padrão está sentindo o impacto, diz Daniela Sassoun, vice-presidente do The Corcoran Group, imobiliária especializada em imóveis de alto luxo. "Há seis meses, você via gente se estapeando para comprar um apartamento de US$ 6 milhões", conta Daniela. "Hoje, o tempo para venda passou de três para uns seis meses, e as pessoas negociam o preço." Não que o mercado esteja mal, longe disso. Nos últimos três dias, Daniela vendeu quatro apartamentos - um de US$ 4,5 milhões, um de US$ 6,5 milhões, um de US$ 8 milhões e um de US$ 10 milhões. Mas ela está vendendo mais para europeus e brasileiros. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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