Enquanto o governo passa meses discutindo a volta da Telebrás, questões urgentes no mercado de telecomunicações continuam sem solução. O presidente da empresa de TV paga via satélite Sky, Luiz Eduardo Baptista, diz que teria R$ 15 bilhões para cobrir o País todo com banda larga sem fio, sozinho ou em parceria, caso não houvesse obstáculos regulatórios.

Enquanto o governo passa meses discutindo a volta da Telebrás, questões urgentes no mercado de telecomunicações continuam sem solução. O presidente da empresa de TV paga via satélite Sky, Luiz Eduardo Baptista, diz que teria R$ 15 bilhões para cobrir o País todo com banda larga sem fio, sozinho ou em parceria, caso não houvesse obstáculos regulatórios. Recentemente, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, visitou ministros em Brasília propondo que sua empresa fosse o principal instrumento do Plano de Nacional de Banda Larga, pedindo bilhões de reais em incentivos do governo. "O meu xará da Oi disse que por R$ 27 bilhões ele faria isso", diz Baptista (esse valor se refere aos subsídios que teriam sido pedidos pela empresa, que teria se comprometido ainda a investir mais R$ 33 bilhões). " A Sky, por R$ 15 bilhões, faria isso no Brasil inteiro, sozinha ou em parceria, ou em joint venture, ou em sociedade com gente local." Há dois anos, a Sky comprou a Itsa, empresa de MMDS (TV paga via micro-ondas), em 12 cidades, incluindo capitais como Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Porto Velho e Vitória. A empresa planejava oferecer banda larga sem fio na mesma faixa de frequência do MMDS, usando essas licenças, com a tecnologia WiMax. Mas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não homologa os equipamentos para essa faixa, o que impede seu uso. Existe uma oposição muito grande das operadoras celulares ao WiMax na faixa usada pelo MMDS, de 2,5 GHz. As celulares querem que essa faixa seja reservada para a quarta geração da telefonia celular. Além do problema da homologação, há uma década a Anatel não vende licenças de MMDS. "Nós entendemos que a Anatel não liberou isso até agora por questões políticas, e não técnicas", afirma Baptista. Ele até admite abrir mão de parte das frequências que tem hoje, se puder usar tudo o que sobrar para banda larga com mobilidade. "Se não carimbarem o espectro (definindo usos obrigatórios), qualquer empresa de MMDS sobrevive com metade do espectro." Segundo Baptista, a entrada da Sky no mercado teria um efeito imediato sobre os preços. "Assumo um compromisso público de que, nessas regiões, vendo de 10% a 15% mais barato que qualquer provedor local, para começar, sem fazer muito cálculo." Prioridade. Baptista critica a pretensão da Oi de se tornar a principal empresa do Plano Nacional de Banda Larga. "A Oi achou que era mais importante comprar a Brasil Telecom do que expandir banda larga no Brasil", afirma o presidente da Sky. "É uma decisão de negócios. Mas não sei até que ponto o governo acredita que a Oi vai passar a cumprir com o que não fez até agora." A Oi comprou a BrT há dois anos, com forte apoio governamental, tornando-se a operadora dominante em todos os Estados, menos São Paulo. O governo controla, direta ou indiretamente, 49% da Oi. Sobre a volta da Telebrás ou a criação de uma estatal de banda larga, Baptista diz não ter opinião formada. "Para nós, é indiferente. O nosso ponto é: não faz sentido segurar a expansão e o progresso porque o governo pensa em criar um plano." Ele critica a morosidade regulatória. "A verdade é a seguinte: estamos debaixo do viaduto passando fome e sede e estamos aguardando que o Taj Mahal maravilhoso fique pronto em dez anos", diz. "A gente só tem de tomar cuidado para que a maior parte das empresas e dos cidadãos não morra antes de usufruir desse Taj Mahal daqui a dez anos. Ele pode ser até maravilhoso, mas que tal fazer alguma coisa que esteja ao nosso alcance desde já? É tão simples quanto isso. Não precisa mudar a lei, não precisa mudar nada." <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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