SÃO PAULO - Crítico assíduo da política de juros praticada pelo Banco Central (BC), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, elogiou publicamente hoje a postura da autoridade monetária diante da crise financeira internacional. De acordo com o dirigente, o BC agiu corretamente ao reduzir as taxas do depósito compulsório, permitindo aos bancos que utilizem esses recursos para irrigar a economia.

No entanto, Skaf ressaltou a importância de que as instituições financeiras realmente utilizem os recursos para dar crédito, permitindo a continuidade da produção e do consumo. " O Brasil pode sofrer muito pouco com a crise se as coisas forem feitas corretamente " , disse o presidente da Fiesp.

Na manhã desta segunda-feira, o BC decidiu implantar um programa de liberação integral dos recolhimentos compulsórios sobre depósitos a prazo, sobre os depósitos interfinanceiros e sobre a exigibilidade adicional de depósitos à vista e a prazo. A previsão é de injetar até R$ 100 bilhões no mercado. De acordo com o BC, " as liberações serão efetuadas de acordo com as necessidades de liquidez dos mercados " .

Apesar de elogiar o Banco Central, Skaf disse que segue contrário à política de juros, que na sua visão não deveriam ter subido. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 28 e 29 deste mês, o dirigente continua defendo corte na Selic. " Eu não teria dúvida em baixar (o juro)", completou.

Skaf participou hoje do 9º Encontro de Negócios de Energia, promovido pela Fiesp.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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