Os mercados financeiros continuam caindo nesta sexta-feira na Ásia e também na Europa, na esteira da queda de Wall Street na noite de quinta-feira e porque os investidores estão cada vez mais preocupados com a situação econômica americana e mundial.

Nesta sexta-feira, a Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 2,75%. Hong Kong perdeu 2,24%, Cingapura recuou 1,97% e Xangai nada menos que 3,29%. Todas as praças da região foram atingidas: Jacarta cedeu 2,5%, Sydney caiu 2,1%, Seul perdeu 1,55% e Manila, 1,1%.

Na noite de quinta-feira, no Wall Street, o Dow Jones perdeu 2,99% e o Nasdaq, 3,20%, por temores de um enfraquecimento do consumo, primeiro fator de crescimento da economia americana, pelos dados negativos sobre o emprego dos EUA.

"As vendas aumentaram nos mercados asiáticos após a queda do Wall Street porque os atores da região anteciparam más notícias extras dos EUA", explicou Kazuhiro Takahashi, corretor da SMBC Daiwa Securities.

"Os investidores realizaram seus lucros após terem comprado ativamente nas últimas sessões e isto vai provavelmente continuar nos próximos dias, a menos que haja sinais claros de uma recuperação da economia americana, destacou Katsuhiro Kondo, corretor da Tokai Tokyo Securities.

"No Japão, as vendas especulativas podem afetar o Nikkei, porque o clima é de morosidade e as preocupações sobre o estado da economia estão só aumentando", afirmou Akira Ishida, chefe do departamento de ações da Chuo Securities, no Dow Jones Newswires.

O clima também não é nada bom na Europa, onde as bolsas operam em nítida baixa nesta sexta-feira.

Às 10H00 GMT, Londres perdia 1,08%, Franckfurt, 1,42% e o Eurostoxx 50 recuava 1,39%. Paris baixava 1,21%, depois de uma forte perda de 3,22%.

"Continuamos na linha de ontem e da queda violenta do fim do pregão. Parece que os investidores estão se dando realmente conta do desaquecimento econômico generalizado, tanto na Europa como nos EUA", explicou à AFP um vendedor de ações parisiense.

Rompendo com o otimismo da semana passada por vários indicadores melhores que o previsto nos EUA, principalmente o crescimento do segundo trimestre, os investidores parecem pensar que estes dados são "promissores demais para serem verdadeiros", segundo as estratégias do BNP Paribas.

Os dois estudos publicados quinta-feira sobre o mercado de trabalho americano (pesquisa do gabinete ADP e pedidos semanais de seguro-desemprego) reativaram os temores de uma má surpresa sobre os dados mensais de emprego nos EUA, esperados para às 12H30 GMT desta sexta-feira.

Enquanto os economistas esperam 75.000 cortes de empregos em agosto, destruições de empregos maiores acentuaram a tendência à queda dos mercados de ações, advertiu a corretora Aurel.

Além disso tudo, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet dissipou quinta-feira as únicas esperanças de flexibilização monetária neste ano mantendo um discurso firme sobre a inflação, apesar de uma conjuntura muito enfraquecida, porque o BCE reduziu sua previsão de crescimento para a zona euro em 2008, de 1,8% para 1,4%.

Único elemento positivo para os mercados europeus: a dupla euro-petróleo. O euro está sendo negociado a 1,4218 dólar, contra 1,4321 dólar da quinta-feira à noite. O barril de petróleo está custando mercado asiático em torno de 107,70 dólares.

far/lm

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