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Situação dos emergentes faz grupo baixar tom

A inesperada fragilidade financeira demonstrada por algumas das principais economias emergentes, como Rússia, Brasil, México e Coréia do Sul, moderou o tom de aprovação de políticas fiscais e monetárias expansionistas, que consta do comunicado final do encontro do G-20 neste fim de semana, em São Paulo. O comunicado, que servirá de base para a cúpula de chefes de Estado do G-20 em Washington, no próximo sábado, adota um tom cauteloso.

Agência Estado |

O endosso a políticas de impulso fiscal e monetário é temperado por alertas quanto a possíveis pressões inflacionárias e turbulências financeiras nos países que sofreram desvalorizações violentas de suas moedas, como aquelas grandes economias emergentes.

Na área de regulação e funcionamento do sistema financeiro, o documento menciona os excessos de alavancagem, as falhas regulatórias e gerenciais de instituições financeiras e agências de classificação de risco e os pacotes de remuneração com incentivos de curto prazo que levaram os executivos e operadores financeiros a assumir riscos excessivos. O comunicado defende mais regulação e cooperação internacional para lidar com esses problemas.

O documento, porém, não defende nenhum desenho mais específico para uma nova ordem financeira internacional, como a estrutura supranacional de regulação concebida pelos franceses, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ampliado dos ingleses ou a abordagem de retoques aqui e acolá preferida pelos americanos do governo George W. Bush.

Já o detalhado documento com a proposta brasileira de "governança financeira global", divulgado durante o encontro em São Paulo, relaciona um bem elaborado conjunto de objetivos - boa parte deles consensual - e providências, ligado à correção das falhas regulatórias e à repressão ao excessos financeiros que se combinaram para causar a atual crise.

O documento brasileiro é bem mais incisivo que o comunicado final do G-20 em relação a se ampliar a influência dos países emergentes na modelagem econômico-financeira global. O Brasil quer reduzir a importância do G-7 (grupo dos países mais ricos) e aumentar a do G-20 (que inclui ricos e grandes emergentes) e apressar e intensificar o aumento de votos dos emergentes no FMI e no Banco Mundial.

A seguir, um resumo dos principais pontos do comunicado final da reunião do G-20 em São Paulo:

DIAGNÓSTICO
O mundo vive a maior crise financeira e econômica em décadas, em razão de falhas regulatórias e políticas econômicas imprudentes. A reação à crise será tão mais eficaz quanto maior for a coordenação entre as principais forças da economia global. O G-20, que reúne países responsáveis por 90% do PIB global, é um foro privilegiado para se formular essa reação coletiva e, portanto, deve ter o seu papel reforçado.

REGULAÇÃO
Todos os países devem se debruçar sobre a tarefa de aperfeiçoar a regulação do sistema financeiro, de forma a combater os excessos de alavancagem e a identificar corretamente os riscos nos diversos produtos e mercados. Adicionalmente, um sistema mais amplo de supervisão internacional e de "alertas antecipados" sobre riscos macroeconômicos e financeiros deve ser montado, com o FMI como peça principal.

CRESCIMENTO
A recessão no mundo rico e a forte desaceleração nos países emergentes é o maior problema econômico da atualidade. A coordenação no aumento dos gastos públicos (política fiscal) e na redução dos juros (política monetária) são os dois principais instrumentos para conter a freada da economia global. Estas políticas, porém, devem ser utilizadas de forma sustentável, que não comprometam a estabilidade macroeconômica.

PROTECIONISMO
É vital que os países resistam a pressões protecionistas, e que a rodada Doha de liberalização comercial seja concluída com sucesso.

SUPORTE
Os países emergentes e pobres devem receber suporte, na forma de aporte de recursos e reabertura de canais de crédito, para manter investimentos e não comprometer os avanços recentes na redução da pobreza e das desigualdades.

BRETTON WOODS
O FMI e o Banco Mundial, as chamadas "instituições de Bretton Woods", devem ser amplamente reformados para aumentar o peso dos emergentes e reforçar a capacidade daqueles organismos de cuidar da estabilidade financeira global, promover o desenvolvimento das nações fora do mundo rico e dar suporte a países atingidos por crises. Se for necessário, os fundos disponíveis do FMI e do Banco Mundial devem ser ampliados.

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