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Sistema resiste com muito dinheiro

Após uma segunda-feira de susto, dramática, um dia de sol, com as bolsas recuperando mais da metade do que haviam perdido, e uma quarta-feira de céu nublado, mas não sombrio. As bolsas fecharam equilibradas ou em alta, sem nenhuma notícia negativa no front financeiro.

Agência Estado |

Foi um dia de certo alívio, mas tenso, com o mercado esperando ansiosamente o desfecho da nova tentativa para aprovar plano permitindo ao governo dos Estados Unidos absorver e depois revender as hipotecas imobiliárias que inxoticam o sistema. E começa tudo de novo. O pior não se repetiu, o maior choque dos dos últimos 20 anos, foi absorvido por dois dias, mas se o Congresso americano não aprovar rapidamente o plano de socorro, ninguém sabe o que poderá acontecer. Era esse o clima no fim da tarde de ontem no fechamento do mercado em Wall Street.

GOVERNO JÁ SOCORRE

O pior não se repetiu, afirmava-se, porque, indepentemente do socorro imediato ou não, o Tesouro e o Federal Reserv (Fed, o banco central americano) continuavam oferecendo ao sistema financeiro somas crescentes, que se aproximam de US$ 1 trilhão. São recursos próprios, gerados pela vendas de títulos do Tesouro, novos ou em estoque, que vêm mobilizando centenas de bilhões de dólares nas últimas semanas. Uma parte desse dinheiro tem sido emprestada a outros bancos centrais, como o europeu, que têm se aliado ao Fed para financiar o sistema e evitar que outros grandes bancos caiam na insolvência.

ENTÃOO, POR QUE O PLANO?

Se o governo tinha condições legais para continuar financiando o sistema, por que esse dramático empenho em aprovar os US$ 700 bilhões? O plano em discussão tem dois méritos: tira do mercado não grupos isolados de títulos tóxicos, mas praticamente todos que estão envenenando o sistema e paralisando as operações interbancárias, o crédito ao setor produtivo e ameçando parar a economia não só americana, mas mundial. O segundo fator é o fortalecimento da credibilidade do governo americano. Ela foi duramente abalada pela forma inadequada com que Henry Paulson e Ben Bernanke vinham enfrentando a crise financeira. Até poucos meses, diziam que estava tudo sob controle, que estavam atentos, passando uma falsa imagem de tranqüilidade.

NÃO É SÓ DINHEIRO.CONFIANÇA

O ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional Kenneth Rogoff, que tem sido um dos mais lúcidos nesse momento, afirma ao The New York Times que o problema atual não é falta de dinheiro, mas de confiança. "Há muito dinheiro. Enquanto os investidores estrangeiros tiverem grande confiança na nossa habilidade de solver nossos problemas, podemos levantar emprestado US$ 1 trilhão, US$ 2 trilhões. A restrição real é a confiança da parte dos investidores estrangeiros que o governo dos EUA pagará sua dívida", afirma o professor de Harvard. Ou seja, se governo e Congresso forem suficientemente responsáveis para enfrentar o que eles mesmos criaram, pela inércia ou pela frágil fiscalização, haverá recursos para ajudá-los a sair da crise.

OS CAMINHOS DA CRISE

Essa contaminação econômica, que já se vislumbra, ocorrerá por duas vias: falta de financiamento à produção e pela desconfiança do consumidor, mais prudente pelo temor de perder o emprego.

NO BRASIL, TAMBÉM

E o leão que ruge lá fora, chegou aqui, mais fraco, sim, mas que pode causar danos. O contágio, aqui, é o mesmo: redução do financiamento à produção. Se o nosso caso é menos grave porque a economia vinha crescendo sustentada pelo consumo interno, ele tem um agravante adicional: precisamos de recursos externos para financiar as exportações (sinônimo de produção, emprego e demanda interna). Elas já sentem a desaceleração da economia e do mercado mundial.

PACOTE? SE QUISEREM...

O Banco Central e o governo estão no caminho que é certo: mais recursos do BNDES e do Banco do Brasil, para financiar a produção interna e as exportações. Ao mesmo tempo, o BC vem irrigando mais o mercado para suprir a escassez de crédito. A demanda interna começa a estabilizar-se, o crédito ao consumidor deve aumentar de custo, com prazos menores, mas não está sendo ainda seriamente afetado. E teremos em dois meses a primeira parcela do 13º salário entrando no mercado. Felizmente, Lula agora está compreendendo que o desafio se torna mais sério. Temos uma economia forte, mas que precisa de financiamento. Está exposta. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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