O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um discurso de improviso na Organização das Nações Unidas (ONU), voltou a fazer cobranças em relação à busca de soluções para a crise financeira provocada pelos Estados Unidos e cobrou de todos os países mecanismos para exigir que fatos como este não se repitam. O sistema financeiro tem que ser controlado.

As pessoas não podem viver de vendas de papéis sem gerar um único emprego", disse.

"Onde estão os senhores que até ontem sabiam de tudo", questionou o presidente, em reunião na ONU com representantes do Chile, da França e da Espanha, em que foi discutida a busca de mecanismos para o combate à fome e à miséria no mundo. "Aonde estão os bancos que até ontem apresentavam avaliações de risco em relação a outros países no mundo?"

Ele ainda reclamou que cada vez "que liga o computador" o risco Brasil cresce e o dos Estados Unidos, aonde está a crise, continua no mesmo nível. "Como isso é possível se a crise é aqui?", questionou o presidente, lembrando que "o Brasil comeu o pão que o diabo amassou" para colocar a casa em ordem.

Em seguida, o presidente brasileiro defendeu a taxação de fluxos financeiros e do comércio de armas para que se encontrem recursos que possam beneficiar os países pobres no combate à fome e à pobreza. "Quando pedimos isso, falamos para os ouvidos moucos dos dirigentes", disse.

Lula lembrou que "está acontecendo no mundo rico o que achamos que só acontecia com os países pobres". Ele afirmou ainda que, "se eles querem transformar mercados num cassino, não nos apresentem uma conta". Lula lembrava o que disse no discurso de ontem na ONU e reiterou que não é possível "países ricos dividirem os lucros com eles e socializarem os prejuízos com a humanidade".
Metas do milênio

O presidente disse que o Brasil fez o dever de casa. "Nós fizemos o dever de casa e nesses cinco anos de governo aprendemos que é mais barato ajudar os pobres do que usar finanças públicas para cuidar do rico", disse. Para Lula, a crise financeira vai dificultar ainda mais o cumprimento das metas do milênio, definidas pela ONU para melhorar as condições de vida da população. "O mais grave é que os países ricos que iam dar dinheiro para ajudar os países pobres não vão fazer mais isso", afirmou.

Lula pediu ousadia da ONU para discutir a crise e voltou a criticar o presidente norte-americano, George W.Bush, por não ter dado maior destaque em seu discurso de ontem na Assembléia Geral da ONU à crise financeira. "Pensei que o meu amigo Bush ia falar com mais ênfase sobre o tema. Não se pode deixar esse assunto cair no esquecimento porque vai sobrar mais fortemente para África, América Latina e os países que não têm nenhuma culpa", disse.

O presidente fez um apelo ao governo dos EUA para que aja rápido no combate a essa crise. Ele lembrou que, na sexta-feira, o governo norte-americano se dispôs a liberar US$ 700 bilhões para ajudar algumas instituições. "É um bom começo", disse, ressaltando que é preciso ir mais fundo nesse assunto, embora agora haja dificuldades porque os EUA estão em época de eleição e sempre é mais difícil de se discutir esse tipo de tema nessas ocasiões.

Reunião

Para Lula, esse debate não pode ficar só com os economistas. Para o presidente, os bancos centrais e ministérios da Fazenda do mundo todo têm de se reunir e os governos devem se envolver politicamente. Ele lembrou que o Brasil é um país pobre e que seus bancos de desenvolvimento só podem financiar até dez vezes o capital declarado. "Mas aqui nos Estados Unidos não tem limite e quando tem problema, não tem dinheiro para cobrir."

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