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O sistema financeiro brasileiro está entre os menos desenvolvidos do mundo, segundo o ranking do Fórum Econômico Mundial, divulgado nesta terça-feira em Genebra. Entre 52 países analisados, o Brasil ficou com a 40ª posição do novo ranking Financial Development Report 2008.

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O estudo avalia sete quesitos: ambiente institucional, ambiente de negócios, estabilidade financeira, bancos, instituições não bancárias, mercados financeiros e disponibilidade de capital.

O que mais pesou contra o País foi o tamanho dos bancos, na comparação com as outras nações, assim como a falta de eficiência das instituições. "As notas relativamente fortes de suas instituições não bancárias e o mercado financeiro contrastam com a fraca posição de seus bancos", diz o relatório.

Os bancos receberam a pior pontuação, ficando em último lugar entre os 52 países. Dentro desse parâmetro, foram avaliados o tamanho, a eficiência e a abertura de informações ao mercado. A entidade também aponta que o País recebeu notas baixas em razão do elevado ônus regulatório e fiscal, além de um ambiente político ineficiente.

A nota mais elevada foi alcançada pelas instituições não bancárias, no posto de 21ª. Dentro desse quesito, o destaque foi a atividade das ofertas iniciais de ações (IPOs, da sigla em inglês). Os outros pontos - securitização, seguros e atividade de fusões e aquisições - também tiveram colocações acima da posição geral do País.

América Latina

Na América Latina, o Chile ocupa a melhor colocação no ranking. O país ficou no 30º lugar, entre 52 nações avaliadas. "A liberalização dentro de um contexto de sólido ambiente legal e regulatório tem sido a chave para o crescimento econômico e também contribui para o sucesso de seu sistema financeiro", diz o relatório sobre o Chile. Logo depois, aparece o Panamá, no 32º lugar, com um desempenho considerado relativamente consistente nos principais quesitos.

O Brasil (40º) está, portanto, atrás do Chile e do Panamá na América Latina, porém à frente do México (43º), Argentina (47º), Colômbia (44º), Peru (46º) e Venezuela (52º). A Venezuela não foi somente a última colocada da América Latina, mas de todo o levantamento. O motivo, conforme a entidade, é a "fraca proteção ao direito de propriedade, a regulação do governo altamente onerosa e um obstrutivo envolvimento no setor financeiro".

Líderes

Mesmo em plena crise, os Estados Unidos e o Reino Unido ainda possuem os melhores sistemas financeiros do mundo, na avaliação do Fórum Econômico Mundial. A diferença entre os dois primeiros é bastante estreita: enquanto os EUA conseguiram pontuação geral de 5,85 (do máximo de 7), o Reino Unido encostou com 5,83.

"A força da intermediação financeira nesses países, assim como os bancos de investimento, as companhias de seguros, o mercado de ações e de títulos, não têm paralelo", afirma o relatório. Logo atrás dos EUA e do Reino Unido aparecem a Alemanha, Japão, Canadá, França, Suíça, Hong Kong, Holanda e Cingapura, completando assim os dez primeiros.

O Fórum reconhece que o ranking está sendo divulgado em um momento de questionamento, em meio à crise no sistema financeiro dos Estados Unidos, que passa por uma "retração dramática do crédito e pela atrofia do mercado imobiliário e de hipotecas". "Outras nações desenvolvidas estão questionando o grau em que a integração financeira e a inovação acabaram gerando a exposição para esta crise financeira que não cede", diz o presidente do Fórum, Klaus Schwab.

No entanto, ele acredita que a ligação entre desenvolvimento financeiro e crescimento econômico está "bem estabelecida". "Neste momento de incerteza, no qual existe potencial para reformar vários aspectos do sistema, é importante (...) considerar todos os diferentes fatores que contribuem para o desenvolvimento financeiro e o impacto benéfico que ele pode ter na vida de muitos."

Eficiência

Os bancos norte-americanos são os mais eficientes do mundo, mas a estabilidade financeira tem avaliação relativamente baixa, aponta o Fórum Econômico Mundial. Os bancos americanos conseguiram a melhor colocação entre todos os 52 analisados. "Do mesmo modo, o mercado financeiro emerge como o melhor de todos, com a força da liberalidade das ações, títulos, câmbio e derivativos."

Além disso, as instituições intermediárias não bancárias tiveram notas elevadas, principalmente na parte de fusões e aquisições e atividades de securitização. "Os Estados Unidos, assim como muitos outros países desenvolvidos, receberam pontuações altas pela liberalização do seu setor financeiro doméstico", mostra o estudo.

No entanto, essas posições vêm acompanhadas de notas relativamente baixas relacionadas à estabilidade financeira. O segundo lugar no "Financial Development Report 2008" ficou com o Reino Unido. Para o Fórum, o país lidera em pontos como seguros, securitização e atividade de fusões e aquisições.

Custo das crises

As crises financeiras têm custo elevado para os países, geralmente bem acima de 10% do PIB. Em muitos casos, as turbulências acabam resultando em recessão. No entanto, esse ônus pode ser reduzido com a devida regulação e supervisão do sistema, segundo o Fórum Econômico Mundial.

"Crises financeiras são caras, pois estão associadas com falências significativas das famílias, corporações e instituições", afirma Nouriel Roubini, da New York University e da RGE Monitor, em estudo divulgado nesta terça-feira.

Para ele, a instabilidade financeira é um sinal de deficiência para alocar apropriadamente a poupança em investimentos. O especialista acredita que a estabilidade é crucial para o desenvolvimento financeiro.

Roubini nota que as crises financeiras têm se tornado mais frequentes e mais virulentas, apesar do sustentado período de crescimento econômico e baixa inflação até então verificado. Segundo o especialista, a explosão do boom dos preços dos ativos pode ter consequências econômicas e financeiras sérias.

Segundo ele, esses gastos podem ser "surpreendentes e extremamente altos". O estudo mostra que a Espanha, por exemplo, arcou com 175% do PIB na crise entre 1977 e 1985. Argentina e Chile tiveram de dispor de 55% da economia na década de 1980, quando atravessaram problemas. Para a Turquia, o custo da turbulência enfrentada entre 2000 e 2003 foi de 30% do PIB.

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