Em meio à crise diplomática com o Brasil, o presidente do Equador, Rafael Correa, obteve o apoio nesta quarta-feira da Venezuela, da Bolívia e dos demais países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) para a revisão da dívida externa equatoriana, que teve sua primeira medida prática na solicitação de uma arbitragem internacional para não pagar um empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As informações são do jornal ¿Folha de S. Paulo¿.

"Nós, diante da clamorosa ilegalidade da dívida, estamos analisando mecanismos para não pagar e, numa luta legal, ir aos tribunais internacionais, mas já estamos sofrendo as ameaças e pressões dos mesmos de sempre. Por isso, pedimos aos membros da Alba e da América Latina inteira que nos respaldem", disse Correa em Caracas, em cúpula do bloco idealizado por Chávez que tem ainda Bolívia, Nicarágua, Cuba, Honduras e Dominica.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, leu o documento final no qual a Alba apóia a iniciativa equatoriana de "proteger seus interesses soberanos". O texto "alerta os organismos financeiros internacionais sobre respostas conjuntas de nossos países para enfrentá-los em caso de ações que atentem contra a vontade do Equador de impugnar os créditos que tenham lesionado a economia do país".

Rafael Correa

Antes de embarcar para Caracas, Correa disse que a decisão do governo brasileiro de chamar o seu embaixador para consultas, na sexta-feira, foi "desproporcional". A medida de Brasília foi a reação ao anúncio por Quito, na véspera, de que havia recorrido à arbitragem para não pagar o BNDES.

O montante foi concedido ao Equador para a construção, pela brasileira Odebrecht, da hidrelétrica de San Francisco -que em menos de um ano apresentou falhas e teve que ser paralisada por quatro meses. Em outubro, Correa expulsou a empreiteira do país.

Há uma semana, Correa disse que enviara recurso à Corte de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional em Paros para não pagar o BNDES.

O Equador "não tem de pedir permissão a ninguém para exercer sua soberania", disse Correa. "A culpa do que está ocorrendo é da Odebrecht, empresa corrupta e corruptora."

Ele também voltou a negar que tenha pedido crédito ao BNDES para um negócio com a Embraer: "Compramos os aviões com dinheiro equatoriano." Mas afirmou que, "se esse país [o Brasil] suspender a transação, as aeronaves podem ser adquiridas de outro".

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