SÃO PAULO - Depois de ampliar o saldo comercial negativo para US$ 2,5 bilhões em 2008, ante o déficit de US$ 840 milhões em 2007, o setor de autopeças espera por mais um saldo desastroso neste ano. A avaliação é de Paulo Butori, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), que vê como causa não só o choque externo de demanda, mas também vulnerabilidades locais que podem levar a um aumento das importações.

Dados dos primeiros dois meses deste ano apontam para um déficit comercial de US$ 455 milhões, ante os US$ 336 milhões negativos apurados um ano antes. Nesse período, a queda das exportações foi mais drástica - de US$ 1,521 bilhão para US$ 794 milhões - do que das importações, que caíram de US 1,857 bilhão para US$ 1,249 bilhão.

Butori disse hoje que o governo precisa adotar alguma espécie de " controle " que evite uma entrada agressiva de importados no setor. A sugestão do sindicato é que o Brasil adote uma licença antecipada com prazo de 60 dias para adequação das empresas.

O executivo, que foi contra a medida lançada pelo governo em janeiro e que não vingou por pressões do setor produtivo, diz que o modelo pode ser ajustado com mais prazo e não "do dia para a noite", como foi feito naquela ocasião.

"É preciso uma decisão política que implique algum controle", disse, reforçando que o monitoramento evitaria danos. Butori afirma que as compras no exterior terão incentivo do dólar, que segundo ele tende a cair ao longo do ano, e à forte ociosidade no exterior.

Com muitas fábricas ainda se desfazendo de estoques a preços cada vez menores, muitas matrizes podem identificar vantagens financeiras em dar ordem de compra de importados para as subsidiárias locais. "Tudo vai depender das decisões internacionais das matrizes e do câmbio, mas o saldo será desastroso", reforça o executivo.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.