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Sindicatos têm pauta ampla de reivindicações a Lula

BRASÍLIA - Dirigentes das principais centrais sindicais disseram, antes de serem recebidos em audiência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, que vão cobrar do governo medidas concretas para conter as demissões no País. Em entrevistas, os líderes sindicais disseram que vão pedir aumento de 15% no valor do salário mínimo (hoje de R$ 415,00), redução de dois pontos porcentuais na taxa básica de juros (que, no entanto, não é definida pelo presidente da República e sim pelo Banco Central), ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego e exigência de garantia de emprego por parte dos empresários como contrapartida à redução de impostos.

Agência Estado |

"O ministro Guido Mantega (Fazenda) precisa começar a discutir o problema da crise com os sindicatos. Até agora, ele só discutiu com empresários", reclamou o presidente da CUT, Arthur Henrique. "Falta ousadia para o governo federal e também para os governos estaduais", acrescentou.

Arthur Henrique disse que o governo precisa diferenciar setores produtivos, que estão enfrentando os efeitos da crise daqueles que estariam aproveitando o momento para tirar proveito. Ele citou como "aproveitadores" os setores de energia elétrica, cimento, aço e automóveis. Arthur Henrique disse que o aumento das parcelas do seguro-desemprego não será o centro do debate com o presidente, mas é medida importante e teria que ser retroativa a dezembro de 2008 para beneficiar os mais de 654 mil demitidos naquele mês.

Henrique defende também a criação de um banco de horas negativo, no qual ficariam registradas as horas não trabalhadas para serem depois compensadas pelo empregado. Defende ainda a redução da jornada de trabalho, como forma de preservar empregos, mas sem a diminuição dos salários.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), disse que o governo deveria aumentar em 15% o valor do salário mínimo para ajudar a conter a crise por meio do incentivo ao consumo. Ele disse também que o governo poderia, por exemplo, determinar ao Banco do Brasil a redução do spread bancário (diferença entre o juro do crédito e o custo de captação dos recursos), o que seria um alívio para muitos setores. "O Banco do Brasil é campeão em spread", afirmou. Ele também fez críticas a Mantega: "O governo, primeiro, precisa cuidar da própria casa, pois, enquanto o Brasil está pegando fogo, o ministro da Fazenda está em férias".

O presidente da UGT, Ricardo Pattah, por sua vez, qualificou de "chantagem" a atitude dos empresários, que estão querendo usar este momento para flexibilizar a legislação trabalhista. Para Pattah, o maior problema, no momento, é o crédito, "que continua emperrado". "Os empresários querem, sob o argumento da crise, rasgar a legislação. Isto é chantagem e oportunismo empresarial", acusou. O presidente da UGT defendeu a redução de dois pontos porcentuais na taxa básica de juros, porque "reduzir 0,25 ponto ou 0,50 ponto não adianta nada". Acrescentou que o presidente e o ministro da Fazenda têm de interferir nessa questão "para mostrar que quem manda no País é o presidente Lula".

Pattah insistiu em que o problema grave do crédito tem que ser resolvido com os bancos. Informou que apresentará daqui a pouco ao presidente Lula sugestão de edição de uma medida provisória dispensando concorrência em obras públicas, para reduzir a burocracia e permitir que recursos já empenhados possam ser usados rapidamente. Pattah fez a ressalva de que, ao dispensar a concorrência, o governo deve promover pregão eletrônico, para garantir a transparência e evitar a corrupção. Sugeriu também que a MP crie um Fundo Emergencial de Fomento ao Crédito. A MP valeria por seis meses.

Já o presidente da CGTb, Antonio Neto, afirmou que o momento é de discutir com o presidente Lula a ampliação do crédito para pequenas empresas, que estão sofrendo com a falta de recursos. Ele disse que é necessário encontrar mecanismos para evitar que a empresa que receba recursos de órgãos governamentais demita trabalhadores. Alegou que, quando esses empresários buscam recursos públicos, usam como principal argumento a afirmação de que é para gerar empregos.

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