SÃO PAULO - O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realiza nesta sexta-feira protestos contra as 400 demissões anunciadas ontem pelo Grupo Santander em todo o Brasil. De acordo com a entidade, manifestações estão ocorrendo desde o início da manhã em frente à matriz do Banco Real, na Avenida Paulista, e no Centro Administrativo do Santander, em Santo Amaro.

Segundo o sindicato, as demissões estão relacionadas ao processo de fusão entre Santander e Real, sendo que o segundo teve mais funcionários dispensados. Procurada, a assessoria do Santander sequer confirmou as demissões. Disse apenas que o grupo não se pronunciará sobre o tema.

Em julho do ano passado, entretanto, o diretor-geral do Santander para a América Latina, Francisco Luzón, garantiu que o banco não pensava em fazer " demissões massivas " no Brasil e que também não lançaria um plano de desligamento voluntário. Não garantiu, contudo, que não haveria cortes. " Sabemos que a rotatividade de mão-de-obra é muito alta no Brasil e essa é uma oportunidade para fazermos acordos com tranqüilidade, com menos impacto possível " , disse à época.

Em nota, a diretora do Sindicato e funcionária do Santander Rita Berlofa afirmou que o corte é " inadmissível " , em razão da confortável situação dos negócios do banco no Brasil e no mundo.

As sinergias entre as operações de Santander e Real foram calculadas em R$ 2,7 bilhões, situação que, para a diretora do sindicato, poderia evitar as demissões. " Ou seja, para os banqueiros, brasileiros ou espanhóis, a fusão trará ganhos, mas para os bancários, pais e mães de família, sobra a tragédia do desemprego " , completou.

Também em nota, o presidente do sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, afirmou que exigirá medidas do governo federal, como a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional o Trabalho (OIT), que proíbe dispensas imotivadas em empresas lucrativas.

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