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Sinais de recessão voltam a derrubar as bolsas européias

Os mercados da Europa caíram ontem pelo quinto dia consecutivo. A queda tem sido provocada pela saúde precária da maior economia européia, a da Alemanha, pela necessidade de socorro do Fundo Monetário Internacional (FMI) a quatro países da região e pelos resultados alarmantes de grandes empresas.

Agência Estado |

Ontem, o continente voltou a dar mostras de que não está conseguindo evitar os impactos da crise na economia real e o mês deve ser o pior em 70 anos para as bolsas européias.

O Banco Central Europeu (BCE) chegou a indicar novo corte das taxas de juros, animando os mercados. Mas o anúncio não conseguiu evitar mais um dia de perdas. Até agora, o índice Dow Jones Stoxx 600 já perdeu 47% no ano. Ontem, caiu 1,9% e 17 das 18 bolsas da região fecharam em queda, acumulando 23,8% em outubro. Mais de US$ 12 trilhões evaporaram neste mês.

Em Paris e Milão, a queda foi de 3,9%, ante 4,11% em Madri. Em Zurique, foi de 3% e, em Londres, de 0,7%. Na Alemanha, a baixa foi de apenas 0,2% em Frankfurt, mas isso graças à alta de 147% nas ações da Volkswagen, depois de um anúncio de um acordo com a Porsche. As perdas chegaram a superar 7% em vários mercados. Mas acabaram se recuperando parcialmente no fim do dia com as declarações do BCE e os dados da economia americana.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, deu sinais de que um novo corte da taxa de juros poderia ser anunciado em 6 de novembro. O objetivo seria tentar estimular a economia e evitar uma recessão. "Considero possível que o Conselho Geral do BCE corte mais uma vez as taxas de juros em seu próximo encontro", disse Trichet, em um evento em Madri. "Não é uma certeza. É uma possibilidade." Para ele, a condição para que isso ocorra é que a inflação esteja sob controle. Numa iniciativa coordenada, o BCE e outros bancos centrais dos países ricos cortaram em 8 de outubro suas taxas de 4,25% para 3,75%.

Porém, nenhuma promessa dos líderes europeus parece estar sendo suficiente para conter o que os dados da economia real mostram. O temor é cada vez mais de que a recessão seja inevitável. A cada dia, os balanços de empresas divulgados na Europa mostram que a queda é real e a região está à beira de uma recessão. Na Inglaterra, outro sinal da recessão: os preços das casas sofreram ontem a maior queda em sete anos.

Uma das medidas que assustaram foi o anúncio do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de que "um pacote financeiro substancial" seria dado para a Hungria nos próximos dias. A meta é "assegurar a sustentabilidade fiscal e fortalecer o setor financeiro" do país.

Esse será o quarto país europeu socorrido pelo Fundo. O FMI já deu US$ 16,5 bilhões à Ucrânia, US$ 2 bilhões à Bielo-Rússia e US$ 2,1 bilhões à Islândia. Mas um fator fundamental está sendo a economia da Alemanha. Dados do instituto Ifo, de Munique, revelaram que a confiança do setor privado na Alemanha é a menor em cinco anos. Já a confiança no futuro é a pior desde 1991. As exportações alemãs continuam a cair, contribuindo para um déficit cada vez maior da União Européia.

Os dados sobre a confiança do setor privado alemão e os resultados das empresas ainda contribuíram para uma nova queda do euro, para US$ 1,23, acumulando 16% em apenas um mês.

O instituto Ifo já havia alertado que, em 2009, a Alemanha cresceria apenas 0,2%, uma verdadeira estagnação. No ano, a Bolsa de Frankfurt já perdeu 49% e ontem somou mais uma baixa.Até a sólida Daimler AG anunciou que seus lucros seriam reduzidos em 2008, em 1 bilhão, já que a dificuldade em obter créditos reduziu o número de compradores de carros. A empresa seguirá o caminho das montadoras francesas e fechará duas de suas unidades por cinco semanas.

Além da queda na confiança e fechamentos de fábricas, algumas das maiores empresas da Alemanha ontem revelaram seus balanços, com prejuízos e queda de 17% nas ações. O Deutsche Postbank, o maior banco do país em número de clientes, anunciou perdas de 449 milhões no terceiro trimestre. É o primeiro prejuízo do banco em mais de uma década, e o resultado ainda está ligado com a quebra do Lehman Brothers nos Estados Unidos em setembro. Já o Deutsche Post, maior serviço de entregas e correio da Europa, também anunciou uma queda nos lucros de 17% e abandonou suas perspectivas para 2009. Suas ações caíram 24% ontem.

Na Bélgica, o governo anunciou a injeção de 3,5 bilhões no banco KBC, único que não tinha anda recebido ajuda estatal no país. As ações do Deutsche Bank também perderam 15%, ante 16% da Société Générale, da França.

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