Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - Poderia ser o fim do pânico que devastou os mercados nas últimas semanas, mas o que se viu após o aval legislativo ao pacote para salvar o sistema financeiro dos Estados Unidos foi muito ceticismo. O movimento empurrou a Bolsa de Valores de São Paulo ao menor patamar em 19 meses.

O Ibovespa fechou a sexta-feira com baixa de 3,53 por cento, a 44.517 pontos. Com uma queda de 12,3 por cento em apenas uma semana, a pior do ano, o índice acumula desvalorização de 30 por cento em 2008.

O giro financeiro do pregão totalizou 5,03 bilhões de reais.

"Ainda tem muita gente cética", afirmou Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Nas primeiras horas da sessão, o índice chegou a disparar mais de 4 por cento, movido pela expectativa dos investidores pelo sim dos deputados norte-americanos ao socorro proposto por Washington a grandes instituições atingidas pela crise.

Isso mesmo após novos sinais de que a economia norte-americana está entrando em recessão. O país fechou 159 mil postos de trabalho em setembro, a maior queda em cinco anos e meio.

E foi justamente para a economia que as atenções se voltaram após a tão aguardada aprovação do pacote pela Câmara. O índice Dow Jones recuou 1,5 por cento, arrastando os mercados internacionais.

Para profissionais do mercado, embora a chancela para o plano seja um dado positivo, os investidores ainda estão apreensivos com a falta de liquidez no mercado.

SETOR FINANCEIRO

No mercado doméstico, as ações de bancos e empresas financeiras foram as que mais pressionaram o índice. BM&F Bovespa sintetizou o ânimo dos investidores, desabando 13,6 por cento, a 7,25 reais. Dentre os bancos, as units do Unibanco puxaram a fila, com um mergulho de 10,0 por cento, para 16,32 reais.

Quem já não precisava de nenhuma incerteza para ser massacrada era Aracruz, depois de a companhia de celulose ter anunciado que suas apostas no mercado de derivativos causariam prejuízo de 1,95 bilhão de reais caso as operações fossem liquidadas em 30 de setembro. Resultado: as ações derreteram 24,8 por cento, a 4,85 reais.

"Esperamos que o impacto negativo de curto prazo nas ações da companhia deve persistir", disse o analista Rogerio Zarpão, do Unibanco, em relatório. A agência Standard & Poor's colocou o rating da companhia em observação negativa.

Dentre as blue chips, Vale teve uma performance mais moderada ao recuar 1,5 por cento, para 28,96 reais. Petrobras perdeu 3,3 por cento, a 31,00 reais.

VENDA A DESCOBERTO

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou nesta tarde que não pretende copiar a decisão das autoridades de mercado de outros países de proibir as operações de venda a descoberto de ações.

"A CVM... não identifica, até aqui, a prática abusiva desta estratégia em nosso mercado", informou a autarquia em comunicado.

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