O presidente e diretor-geral do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avaliou hoje que o Brasil tem feito investimentos, mas para crescer a uma taxa de 4% ao ano. Ele fez a afirmação durante palestra na "2010 Latin American Cities Conference: São Paulo", que nesta sexta edição tem como tema "O Brasil é o Futuro".

O presidente e diretor-geral do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avaliou hoje que o Brasil tem feito investimentos, mas para crescer a uma taxa de 4% ao ano. Ele fez a afirmação durante palestra na "2010 Latin American Cities Conference: São Paulo", que nesta sexta edição tem como tema "O Brasil é o Futuro". O evento é organizado pelo Conselho das Américas e tem o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Segundo Setubal, é preciso fortalecer o mercado de capitais, que chega até a ser atraente para investimentos estrangeiros, mas depende muito da questão fiscal do País e do estágio da economia externa. Ele disse ainda que a iniciativa privada precisaria investir mais no Brasil, porque a maior parte dos investimentos feitos hoje vem do setor público.

Na avaliação de Setubal, os investimentos que já foram feitos no Brasil estão aqui para ficar, mas existe um problema sério na economia: a falta de poupança interna forte o suficiente para propiciar taxas de crescimento de 6% a 7% ao ano de forma sustentável.

Internacionalização

O presidente do Itaú Unibanco também afirmou que a instituição está avaliando oportunidades para fusões e aquisições. Setubal acredita que as oportunidades estarão abertas pelos próximos três anos, dado o estágio da economia brasileira. Segundo ele, o processo de internacionalização do banco, anunciado quando ocorreu a fusão com o Unibanco, dependerá da solidificação do processo de integração das operações das duas instituições.

"Quando anunciamos a fusão do Itaú com o Unibanco, nós falamos também da nossa intenção de internacionalização do banco. Nós avisamos também que dedicaríamos esforço na integração das duas instituições", disse Setubal. Segundo ele, o processo de integrar os dois grupos, um com 70 mil funcionários e outro com 30 mil funcionários, acaba sendo um processo lento, dadas as diferenças de culturas.

No entanto, disse o executivo, os resultados colhidos até agora são satisfatórios, mas não é possível ainda afirmar que o processo já teria sido consolidado. Após essa etapa, de acordo com Setubal, o banco pretende retomar sua perspectiva de internacionalização, mas o interesse da empresa é começar pela América Latina.

PIB

Setubal previu ainda para os próximos 10 anos crescimento em torno de 5% para a economia brasileira. De acordo com ele, apesar do crescimento previsto estar muito próximo da taxa que se via antes da crise de 2008, a sua visão para o Brasil é positiva. Ele destacou a diferença do Brasil de hoje e do Brasil de 20 anos atrás, salientando que hoje o País "está no mapa do mundo" como uma economia forte. "O Brasil hoje já não é uma economia emergente, já tem seu espaço na economia mundial".

De acordo com ele, o fato do Brasil ter saído rapidamente da crise econômica global chamou a atenção dos que não acompanhavam o País de perto. "Agora nosso crescimento é maior que a média do mundo", disse ele. "Se levarmos em consideração as grandes economias ocidentais, a do Brasil é a que cresce mais rápido", reiterou.

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