SÃO PAULO - A decisão do governo de exigir licença prévia para importação, que teve início ontem, já está gerando forte resistência de importantes setores do mercado. A reação é ruim tanto em segmentos produtivos que dependem de insumos comprados no exterior para dar prosseguimento à atividade, como para importadores que operam no varejo.

A tal licença, que antes era emitida automaticamente pela internet, representa uma trava para importações, mas o governo alega a necessidade de ajuste estatístico.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônico (Abinee) esta medida agravará ainda mais a já crítica situação das empresas fabricantes de produtos eletroeletrônicos. O presidente da entidade, Humberto Barbato, disse que foi surpreendido hoje pela notícia enquanto está em missão oficial do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic), em Argel.

Ele disse ter pedido pessoalmente ao ministro da pasta, Miguel Jorge, que revogue a decisão, já que a produção industrial estaria ameaçada pela medida. "Esperamos a revogação imediata desta medida, pois o setor produtivo não pode pagar mais este preço por mais um descontrole do governo", afirmou Barbato.

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim) também se diz "duramente atingida", pela "barreira" criada com a nova exigência. "As coleções de inverno de 2009 já estarão comprometidas se não houver a liberação imediata das licenças de importação", alerta o presidente da Abeim, Sylvio Mandel.

Ele destaca que o varejo têxtil já tinha uma ampla gama de produtos de inverno com barreiras restritivas e que essa medida adicional é um retrocesso. "Agora, itens em que não havia obrigatoriedade de licenças passaram a ter e, com isso, ainda maiores serão as dificuldades a serem enfrentadas na liberação de mercadorias. Tudo parou", diz Mandel.

Os dirigentes de setores afetados se perguntam ainda se o governo terá estrutura para avaliar licenças de uma lista de setores que abrange cerca de 60% da pauta brasileira de importações.

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