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Setor de TI teve ano de consolidação e crescimento em 2008

SÃO PAULO - O setor de tecnologia viveu uma fase de ouro em 2008. Do lado das empresas, o crescimento da demanda foi a todo vapor: dotadas de dinheiro em caixa, elas aumentaram em média 12% seus investimentos em software e serviços de TI, em relação ao ano passado, segundo a Consultoria IT Data.

Valor Online |

Por parte do consumidor brasileiro, não foi diferente. Impulsionado pela queda do dólar que derrubou os preços dos computadores, o potencial das classes C e D se mostrou vigoroso, com seus consumidores vivenciando o aumento da renda e passando a consumir mais tecnologia. Foram 12 milhões de PCs vendidos em 2008, um aumento de 20%, na comparação com 2007, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

A indústria de TI só agradeceu. " Foi uma época boa, em que todos os segmentos cresceram e as empresas tiveram a chance de se consolidar no mercado " , afirma Leandro Máximo, analista Setorial da Lafis Consultoria. Para a área de software, 2008 foi realmente importante, pois marcou a aquisição e fusão de empresas importantes no segmento. Segundo os analistas do Banco Fator, o principal evento do ano foi a compra da Datasul pela Totvs, em julho. Em um negócio avaliado em R$ 700 milhões, a operação formou a maior empresa de software de gestão dos mercados emergentes e a nona maior do mundo. A nova companhia brasileira passou a gerar uma receita bruta unificada de R$ 778 milhões e sua participação chegou a 38,1% no mercado do país e 17,5% na América Latina.

Com boa demanda por parte do consumidor pessoa jurídica e o maior alcance da população ao universo tecnológico, o setor de TI experimentou em 2008 um crescimento também das empresas do segmento da internet. Um exemplo foi a surpreendente demanda por aquisição da banda-larga, cujo número de internautas cresceu 53% em um ano no país, segundo o Ibope. Com o acesso fácil e rápido, as pessoas passaram a comprar mais pela internet, fortalecendo o chamado e-commerce. Nessa cadeia, os lucros dos provedores também foram destaque: o faturamento da publicidade online estimado pelo Projeto Inter-Meios teve uma expansão de 47% até setembro, em relação a 2007, atingindo R$ 519 milhões.

Tudo ia muito bem para o setor de TI, até que, com a crise, o passo rápido do mercado começou a mudar. As empresas ficaram mais cautelosas e passaram a pensar duas vezes antes de realizar quaisquer novos gastos. As companhias de tecnologia tiveram seus quadros de custos alterados diante do aumento do dólar e, com as importações mais caras, começaram a planejar um repasse para o consumidor. Esse não ficou de fora do ciclo de aperto e, diante de um crédito mais raro e do aumento dos preços, diminuiu seu ritmo de compras.

O segmento que mostrou mais rapidamente os efeitos negativos da crise foi o de hardware. Segundo Luciano Crippa, analista de PCs e impressoras da consultoria IDC, o crescimento do mercado brasileiro de PCs em 2008 já foi revisado para baixo, de 18% para 12,7%. " A nossa pesquisa constatou, já no fim de 2008, uma desaceleração do varejo " , afirma ele em relatório. O crescimento do mercado cinza (máquinas sem marca) é outro fator que passou a preocupar. Os micros montados, que representaram 73% das vendas em 2004 e apenas 29% em 2008, de acordo com a Abinee, podem voltar a apresentar maior competitividade com o aumento dos preços dos aparelhos. " A mudança de patamar do câmbio tem gerado diversos impactos negativos para o segmento, principalmente pelo crescimento do contrabando " , afirmam os analistas do Banco Fator, em relatório.

Esses impactos da crise já foram sentidos pela maior empresa do setor, a fabricante de computadores Positivo. A companhia, com sede no sul do Brasil, acertou no momento de investir nas classes mais baixas, se tornando líder brasileira. No entanto, no último resultado divulgado em novembro, a Positivo registrou uma queda de 6,4% no lucro líquido referente ao terceiro trimestre, quando comparado com o mesmo período do ano passado. " A atual crise externa tem impactos severos sobre o desempenho da companhia, já que 90% dos custos são atrelados ao dólar. Além disso, a restrição de crédito impacta muito as vendas de computadores no país " , afirma Luciana Pazos, analista de investimentos da Gradual Corretora.

Com a virada no clima positivo que dominava o setor de TI no início do ano, as empresas terão de se preparar para enfrentar um período de incertezas. " O ano de 2008 foi lindo. Mas com a crise, a situação ficou preocupante. A indústria de TI passou a planejar a minimização das perdas, diante dos efeitos que ainda devem vir " , afirma Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa da IT Data.

(Vanessa Dezem | Valor Online)

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