Apenas 15 das 65 ações que compõem o Ibovespa fecharam em alta no mês de setembro. Estudo da Economática - empresa de análises financeiras - mostrou que o setor de serviços detém a maior parte delas.

São sete: TIM Participações ON (15,7%), a maior alta da Bolsa; TIM Participações PN (10%), Transmissão Paulista (8,1%), Cemig (6,8%), Telemar (6,3%); CPFL Energia (4,4%); Light S/A (3,4%). Na outra ponta, o pior resultado ficou com as ações ON da Cosan, que amargaram perda de 50% no mês.

Em setembro, com o agravamento da crise, a Bolsa caiu 11%. O cenário piorou depois que o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, entrou com pedido de concordata. A instituição registrou perdas de US$ 3,9 bilhões nos três meses anteriores a agosto. Foi o primeiro banco a entrar em colapso desde o início da crise nos Estados Unidos. A partir daí, outras instituições começaram a apresentar graves problemas.

O analista de investimentos da Coinvalores, Marco Saravalle, explica que as empresas de energia escaparam desta queda porque, além de serem prestadoras de um serviço essencial, elas são beneficiadas por períodos de inflação alta, pois o reajuste das tarifas é feito pelo Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M) - regra geral, o que apresenta maior alta. "As empresas de energia e de telecomunicações são empresas de um setor maduro e são vistas pelos investidores como apostas conservadoras, porque sempre garantem algum retorno", avalia.

Alguns bancos também conseguiram ficar no terreno positivo. Nossa Caixa e Itaubanco subiram 3,8% em setembro. Bradesco, 3,4%. Saravalle explica que os bancos brasileiros seguem regras rígidas de alavancagem, têm uma administração transparente e, por isso, também são considerados apostas conservadoras.

Exceto nestes segmentos, os reflexos da crise e a insegurança dos investidores bateram com força. O mau desempenho da Cosan é exemplo disso. O mercado desconfiou que a empresa tivesse perdido dinheiro com operações de derivativos de câmbio. A empresa se posicionava buscando ter lucro com a eventual manutenção da tendência de valorização do real ante o dólar, o que acabou não acontecendo devido ao agravamento da crise. A alta do dólar, que chegou a beirar os 18% em setembro, fez com que estas operações resultassem em prejuízo. A Cosan chegou a enviar comunicado ao mercado negando que tivesse operações deste tipo, o que não foi suficiente para evitar as perdas.

A segunda empresa com o pior resultado em setembro foi a Sadia. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da companhia desabaram 47,1%. Neste caso, as operações com derivativos de câmbio provocaram um estrago de R$ 760 milhões e a demissão do diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da companhia, Adriano Lima Ferreira. Empresas de alimentos brasileiras com forte atuação em exportações normalmente atuam com derivativos de câmbio buscando compensar (hedge/segurança) eventuais perdas em receita nas exportações geradas pela valorização do real frente ao dólar. Mas no caso da Sadia, as operações extrapolaram o hedge que seria adequado.

A terceira maior queda na Bolsa no mês passado é da Rossi Residencial, com baixa de 46% para as ações ordinárias. De acordo com Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, os investidores estrangeiros eram donos de uma parcela considerável das ações da Rossi. Para cobrir perdas no exterior, ele venderam os papéis e derrubaram as cotações.

O mesmo aconteceu com as ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), quinta maior perda na Bolsa em setembro, com baixa de 31,7% e com os papéis da ALL - América Latina Logística -, sétima maior perda - de 31%. "O lançamento das ações da BM&F foi o último antes do agravamento da crise. Os investidores estrangeiros compraram ações da empresa, prevendo um aumento do mercado financeiro no Brasil. Com a piora externa, este cenário mudou na visão dos investidores", explica Bandeira.

Já a Cesp foi a responsável pela quarta maior queda da Bolsa. Para Bandeira, o desempenho dos papéis foi prejudicado pelas incertezas sobre a privatização da companhia. O governo paulista descartou a venda de parte da empresa, já que há dúvidas sobre renovação das concessões das hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira, que representam 67% da capacidade instalada da Cesp. No início do mês, o vice-governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, disse que qualquer decisão sobre a Cesp depende do governo federal. O impasse neste processo provocou a queda de 36,8% nas ações preferenciais da empresa.

Já os papéis da Usiminas, que caíram 29,2% no mês passado e é a nona maior queda da Bolsa, foram prejudicados pela retração da venda de carros. O fato é que a crise já reduziu a oferta de crédito e provocou a alta dos juros cobrados nos empréstimos. Como esta é uma empresa que depende muito do setor automobilístico, na expectativa deste cenário, as ações desabaram.

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