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Setor automotivo mantém investimentos, por enquanto

O forte ritmo de crescimento da indústria automotiva registrado no Brasil em 2007 e nos primeiros nove meses de 2008, quando o setor registrou altas de mais de 20% nas vendas, deverá ser interrompido em 2009, reflexo da crise financeira internacional. A previsão de alguns executivos do setor é de estabilidade nas vendas para o próximo exercício.

Agência Estado |

Apesar de não falarem ainda em corte de pessoal, todos admitem que ajustarão a produção ao novo ritmo do mercado. Investimentos, por sua vez, por enquanto estão mantidos.

Renault

O presidente da Renault do Brasil, Jerôme Stoll, é dos que avaliam que as vendas do mercado deverão ficar estáveis em 2009, na comparação com 2008, mas com comportamento diferente em relação aos picos de venda. "Acredito que vamos começar o ano com um ritmo mais fraco e recuperar depois no segundo semestre", afirma. A previsão do executivo para 2008, no entanto, já foi reduzida. Stoll estima queda de 10% a 15% nas vendas totais do setor nos últimos três meses do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa inicial era de que o setor encerrasse o ano com 3 milhões de unidades comercializadas (automóveis de passeio e comerciais leves), o que representaria uma alta de quase 25%. A projeção agora é de vendas totais de 2,750 milhões de automóveis de passeio e comerciais leves, o que representará uma expansão de 18% sobre 2007.

Para garantir as vendas da empresa, a Renault Credit International, braço financeiro do grupo, dobrou sua participação nas vendas desde agosto. O porcentual dos financiamentos da instituição, que era de 15% no primeiro semestre, agora está em 30%, afirma Stoll. O executivo afirmou também que a empresa deverá reduzir produção para ajustar os estoques ao novo ritmo do mercado, mas não fala ainda em demissões no Brasil. Na Argentina, a empresa já anunciou a dispensa de 300 funcionários temporários e a redução do turno de trabalho de dois para um. No Brasil, por enquanto, a estratégia é fazer uso do banco de horas para manter o ritmo de dois turnos nas linhas de produção. "Nossa maior dificuldade será ter agilidade para adaptar o sistema ao novo mercado", avalia.

Peugeot

O presidente da Peugeot do Brasil, Laurente Tasté, por sua vez, avalia que o mercado automotivo brasileiro está mais protegido da crise, uma vez que depende mais do desempenho interno que internacional, mas se diz preocupado em relação à disponibilização do crédito. "Acredito que o País seja capaz de manter os níveis atuais de vendas em 2009", afirma. O executivo ressalta que pensar em estabilidade nas vendas no próximo ano parece razoável depois do forte crescimento de 2007 e 2008.

O executivo admite ainda que a empresa deverá fazer ajustes na produção para adequar-se ao novo patamar do mercado, mas não fala que tipo de medida deverá ser tomada. "Não tomamos ainda essa decisão. Estamos esperando para ver como ficará o mercado, mas adianto que hoje estamos trabalhando com três turnos, de sábado e domingo", lembra. Para amenizar a falta de crédito das instituições financeiras comerciais, o banco da montadora também tem elevado sua participação nos financiamentos dos carros da marca. O porcentual de 30% subiu para 40% nos últimos dias, segundo o executivo. A avaliação de Tasté é de que o apoio do governo é fundamental nesse momento para dar tranqüilidade ao mercado e também para manter o custo do crédito em patamares aceitáveis. A previsão da empresa é encerrar 2008 com 90 mil carros vendidos, o que representará um aumento de 15% sobre 2007.

O presidente da Peugeot afirma ainda que a programação de investimentos do grupo está mantida. O plano prevê aportes de US$ 500 milhões no País entre 2007 e 2010. "Não vamos atrasar investimentos por causa da crise", afirma.

Fiat

O presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, prefere não fazer previsões para 2009. Segundo ele, é preciso aguardar para ver como ficará a questão do crédito no País. O executivo ressalta, no entanto, que os fundamentos da economia continuam fortes e sólidos. Belini cita dados do IBGE, que na semana passada divulgou que o índice de desemprego continua estável em 7,6% e que a massa salarial cresceu 6,4%. "Estou confiante que 2009 ainda será um ano positivo para o setor", afirma.

A expectativa do presidente da Fiat é de que as medidas já anunciadas pelo governo só comecem a ter reflexo no mercado dentro de 30 a 60 dias, quando espera que a disponibilidade de crédito dos bancos seja restabelecida. "Estamos vivendo um momento atípico, com restrição de crédito, mas acho que esse cenário é passageiro", afirma. O executivo informa que em outubro o setor registrou uma média de vendas diárias 5,5% acima da média diária de 2007. "Por enquanto não temos com o que nos preocupar, mas podemos fazer ajustes caso seja necessário", afirma. O executivo acredita que, com a injeção do dinheiro do 13º salário no mercado já a partir de novembro, as vendas deverão se recuperar no mercado interno neste final de ano. As expectativas para exportação, no entanto, são de queda de 20%, para 85 mil unidades.

O presidente da Fiat afirmou ainda que a programação de investimentos da montadora está mantida, apesar das incertezas geradas pela turbulência internacional. A programação da empresa prevê aportes de R$ 6 bilhões até 2010 para o segmento de automóveis de passeio, tratores e caminhões. "Acredito que o Brasil vai passar esse momento e por isso temos que estar preparados para quando o País retomar o ritmo de crescimento", afirma. Depois de dar férias coletivas para 13% dos funcionários em outubro, o executivo admite que poderá conceder novo prazo de descanso aos trabalhadores em novembro, antes das férias coletivas de dezembro, mas nega que a decisão esteja relacionada com a crise. "Estamos estudando novas férias, mas porque precisamos atender a legislação trabalhista", afirma, lembrando que em julho a empresa não deu descanso aos funcionários porque o mercado estava muito aquecido.

Tem início nesta semana, em São Paulo, o 25º Salão Internacional do Automóvel. O evento acontece entre 30 de outubro e 9 de novembro.

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