O setor automobilístico vai investir quase US$ 23 bilhões nos próximos quatro anos e chegará a 2013 com uma capacidade produtiva anual de 6 milhões de veículos, cerca de 2,5 milhões a mais do que tem atualmente. Entre os projetos previstos estão pelo menos duas novas fábricas, uma delas da japonesa Toyota, já anunciada, e outra da coreana Hyundai, que deve ser confirmada nas próximas semanas.

De acordo com os projetos inscritos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Toyota deve investir US$ 750 milhões na fábrica que fará em Sorocaba, interior de São Paulo, para produzir 150 mil carros por ano. O projeto da Hyundai é orçado em cerca de US$ 600 mil.

Do total de investimentos previstos, 70% devem vir das montadoras e o restante, das fabricantes de autopeças, segundo projeções feitas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Embora a capacidade prevista para 2013 chegue aos 6 milhões de veículos, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, calcula que a produção efetiva no período será de 5 milhões de unidades.

Para este ano, a previsão é de produção de 3,4 milhões de veículos, número mantido apesar da desaceleração verificada em agosto. Até o mês passado, foram fabricadas 2,32 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número 20,3% maior que o de igual período de 2007.

As vendas no mercado interno em agosto, de 244,7 mil veículos, representaram a queda de 15,1% na comparação com julho, mas foram 4% melhores que os resultados do mesmo mês de 2007. No acumulado de janeiro a agosto foram vendidos 1,94 milhão de unidades, 26,4% mais que no mesmo período do ano passado.

"Não vejo queda nas vendas, mas um aumento em ritmo menor do que anteriormente e já contávamos com isso", disse Schneider. Até julho, o setor crescia a um ritmo de 30% ao mês. Há uma "acomodação" do mercado, disse o executivo, que também admite efeito do aumento dos juros na redução da demanda.

Até dezembro, a Anfavea projeta vendas de 3,06 milhões de veículos, 24% mais que em 2007. Para 2009, Schneider aposta num ritmo ainda menor de expansão, na casa dos 10%.

Os estoques de carros encerram agosto com o nível mais alto deste ano, com 251,3 mil veículos nas fábricas e nas concessionárias, o equivalente a 30 dias de vendas, ante uma média anterior de 23 dias. "Não acho ainda que seja um nível elevado, mas vamos ter de olhar nos próximos meses para entender se é uma questão específica ou uma tendência", disse Schneider.

Ele também segue considerando "razoável" o índice de inadimplência dos financiamentos, que passou de 3,2% dos contratos em julho de 2007 para 3,7% em julho deste ano, de acordo com dados do Banco Central. "Ainda estamos abaixo da média de inadimplência dos outros setores, que é de 7,3%."

As exportações da indústria automobilística cresceram 9,1% em valor este ano, para US$ 9,4 bilhões, mas caíram 3,3% em unidades, para 512 mil veículos. "Significa que estamos exportando veículos com maior valor agregado, principalmente máquinas agrícolas, explicou Schneider.

Para o ano, a Anfavea projeta exportações de 780 mil veículos, uma queda de 1% em relação a 2007. Em valores, porém, os negócios externos devem render US$ 13,5 bilhões, 7,4% mais que em 2007.

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