SÃO PAULO - Em um evento superlotado de tucanos espalhados por três andares de um prédio administrativo, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin foi empossado ontem pelo governador de São Paulo, José Serra, como secretário de Desenvolvimento. A solenidade, que contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, marcou o fim da divisão do PSDB paulista, onde Serra e Alckmin disputavam espaço até a eleição passada.

Mas, deixou evidente a desunião do partido em termos nacionais: apesar de o ato reunir os três candidatos a presidente que o partido teve desde 1994, a única presença de fora do Estado de São Paulo era a do senador Álvaro Dias (PR). Presidenciável, Serra é o favorito para obter novamente a candidatura presidencial em 2010, em disputa velada com o governador mineiro, Aécio Neves.

Antigo aliado de Aécio, Alckmin ontem evitou falar sobre a sucessão presidencial, mas desembarcou da tese da realização de prévias entre os filiados para a escolha do candidato presidencial, como defende o governador mineiro. " Se nós tivermos nossos possíveis candidatos unidos, não haverá necessidade de prévias. É possível o entendimento " , disse o ex-governador, em rápida entrevista após o evento.

Alckmin eximiu Serra de participação em sua derrota eleitoral do ano passado, quando o governador, de maneira encoberta, apoiou a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). " O Serra apoiou a nossa candidatura e nós tivemos uma bela votação. Eleição se ganha e se perde e a responsabilidade sempre é do candidato " , disse.

Antes econômico em avaliações sobre a gestão de seu antecessor, Serra ontem demorou-se em elogios ao governo Alckmin. " Recebemos a Sabesp, o Metrô, financeiramente em ordem. Houve um grande salto no ensino tecnológico. Em grande medida, tudo o que o nosso governo tem feito está apoiado em governos anteriores, sobretudo de Covas e Alckmin " , afirmou o governador, que disse que até mesmo a criação da Nossa Caixa Desenvolvimento, a agência de fomento criada com a venda do banco Nossa Caixa para o Banco do Brasil, baseou-se em uma lei aprovada no tempo de Alckmin.

O ex-governador, que tentará voltar ao cargo no próximo ano, preocupou-se em rebater as avaliações de que sua ida para uma secretaria estadual o diminui politicamente, já que em 2006 concorreu à Presidência da República e no ano passado à prefeitura da capital do Estado. " Agradeço a Serra esta oportunidade de voltar a trabalhar por São Paulo, no meu primeiro cargo público não eletivo. Trabalhar por São Paulo é um dever e uma honra, independente da hierarquia do cargo " , afirmou.

A gestão de Alckmin na secretaria deverá ser breve, já que o próprio Serra tem interesse em se afastar do cargo no próximo ano para concorrer à Presidência. Segundo afirmou o governador, será marcada pela condução de estratégias do governo estadual para enfrentar a crise econômica global. Ao discursar ontem, Serra recomendou a Alckmin e ao secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, filiado ao DEM e também com pretensões a concorrer a cargo majoritário em 2010, que negociem junto a Kassab, a elaboração de um plano emergencial contra o desemprego.

De acordo com Serra, o objetivo do governo estadual será aumentar a oferta de empregos diretos, por meio de um programa de obras públicas ou de incentivo ao que chamou de " investimentos de utilidade social " .

O ex-governador afirmou que irá procurar dirigentes de entidades empresariais e sindicais. " Minha função é ouvir e unir todos os setores de atividade e promover parcerias " , disse Alckmin. Estavam no evento o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti e o presidente da Associação Brasileira do Desenvolvimento da Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy.

(César Felício | Valor Econômico)

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