Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Serra critica juros e promete medidas contra a crise

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse hoje que a redução da taxa básica de juros (Selic) é fundamental para evitar o aumento do desemprego, um dos principais efeitos da crise financeira internacional no País. Ele avaliou a política macroeconômica como equivocada e irresponsável, afirmou que a queda de um ponto porcentual na Selic, decidida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi praticamente insignificante, e cobrou uma periodicidade menor entre as reuniões do comitê, que hoje ocorrem a cada 45 dias.

Agência Estado |

"Eu acho que a coisa mais importante no Brasil para o enfrentamento da crise não está sendo feita, que é a redução dos juros", afirmou. "O Brasil continua com a taxa de juros mais alta do mundo, numa política para lá de equivocada, para não dizer irresponsável. Todos os países do mundo reduziram muito os juros para poder enfrentar a situação", disse. "O Brasil praticamente não reduziu e continua campeão mundial da taxa de juros, numa política macroeconômica absolutamente equivocada. Esse é o elemento número um quando se fala de emprego. Pode-se falar de muitas outras coisas, mas essa é a questão-chave e que depende, no caso, das autoridades federais."

Serra criticou a diminuição de apenas 1 ponto porcentual da taxa básica de juros, para 12,75% ao ano, e juntou-se ao coro de empresários e sindicatos que cobram que as reuniões do Copom sejam mais frequentes durante o período de crise. "Não é nada (a queda de 1 ponto). Nada. É praticamente insignificante. Foi um 'saludo a la bandera', além do que é uma verdadeira aberração que se reúnam a cada 45 dias, como se vivêssemos um período de absoluta normalidade", disse, recorrendo à expressão em espanhol para dizer que a decisão foi mera formalidade, diante da gravidade da crise. Ele não definiu a taxa básica de juros que avalia como ideal para o País. "Muito menor que essa", limitou-se a dizer.

O governador isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da responsabilidade por manter os juros em um nível que considera elevado. "Eu acho que o presidente da República tem muita boa vontade, está trabalhando muito", afirmou. Agora, a questão-chave é a política macroeconômica, aqui, na China, no Polo Norte e em qualquer lugar. E, nesse sentido, o Brasil é exceção mundial", afirmou.

Questionado sobre se é contra a independência do BC, Serra respondeu que, na prática, o órgão não é independente. "O BC é dependente do governo federal. Ele não é um órgão independente. O BC faz a política do governo, vamos ter isso claro", afirmou. Ele ainda ironizou a postura de enfrentamento da crise adotada pelo Copom. "A taxa de juros no Brasil e a política monetária são um caso de curiosidade mundial. No futuro, os estudantes vão fazer teses de mestrado e doutorado para poder entender como é que um país pôde ter ido tão contra a corrente no enfrentamento da crise."

Combate ao desemprego

Serra disse que a contribuição que o governo estadual dá ao combate ao desemprego é o esforço para manter os investimentos em infraestrutura em R$ 20 bilhões neste ano. O governador disse que novas medidas serão anunciadas nos próximos dias também para combater a crise.

"Nós estamos fazendo um grande esforço pelos investimentos. São R$ 20 bilhões em investimentos neste ano que estão sendo mantidos. Essa é a grande contribuição também para o nível de emprego, fora várias outras medidas que nós sintetizaremos para anunciar nos próximos dias", prometeu.

Hoje, Serra se reúne com a equipe de secretários estaduais para discutir os impactos da crise no Estado e alternativas que possam minimizá-los, principalmente na questão do emprego. Dados do Observatório do Emprego no Estado mostram que as demissões se concentraram na indústria da transformação e na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, as ações do Estado terão como objetivo incentivar também o investimento privado. Ele confirmou que o governo estuda isenções ou reduções de impostos em áreas estratégicas. "Estamos pensando seriamente nisso na área de investimentos", admitiu. "Em momentos de crise, existe a oportunidade de meter o pé no acelerador e sair na pole position, enquanto muita gente mete o pé no breque."

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG