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Serra ataca política monetária do Banco Central

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que a redução da taxa básica de juros é fundamental para evitar o aumento do desemprego, um dos principais efeitos da crise financeira internacional no País. Pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Serra qualificou a política macroeconômica como equivocada e irresponsável e disse que a queda de um ponto porcentual na taxa Selic foi praticamente insignificante.

Agência Estado |

O governador paulista cobrou ainda redução da periodicidade das reuniões do Comitê de Política Monetária, feitas atualmente a cada 45 dias. "É uma verdadeira aberração que se reúnam a cada 45 dias, como se vivêssemos um período de absoluta normalidade", disse.

A condução da política econômica tem sido o principal foco de críticas ao governo federal, tanto por parte de Serra quanto por parte do governador mineiro, Aécio Neves, que se colocou como outro pré-candidato do PSDB às eleições de 2010.

Sobre a redução de um ponto porcentual na taxa básica de juros, para 12,75% ao ano, Serra comentou: "Não é nada. É praticamente insignificante." Questionado sobre se é contra a independência do Banco Central, respondeu que, na prática, o órgão não é independente. "O BC é dependente do governo federal. Ele não é um órgão independente. O BC faz a política do governo, vamos ter isso claro."

O tucano, no entanto, evitou responsabilizar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem tem se aproximado nos últimos tempos, por manter os juros em um nível que considera elevado. "Acho que o presidente da República tem muita boa vontade, está trabalhando muito", afirmou. Mas foi duro ao focar as críticas na política monetária atual: "Agora, a questão-chave é a política macroeconômica, aqui, na China, no Polo Norte e em qualquer lugar. E nesse sentido o Brasil é exceção mundial." E completou: "Acho que a coisa mais importante no Brasil para o enfrentamento da crise não está sendo feita, que é a redução dos juros."

As declarações de Serra, dadas em um evento sobre qualificação profissional, foram as primeiras desde que voltou de uma semana de férias. Enquanto estava fora do País, houve o anúncio de que o início do ano letivo começaria mais tarde no Estado e a crise na favela de Paraisópolis, onde moradores e a polícia de enfrentaram.

Serra defendeu a atuação da Polícia Militar na favela. "A polícia não está ocupando, a polícia não ocupa, a polícia está em todo canto da cidade", afirmou. O tucano não confirmou se as ações estão ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). "Essa coisa do PCC é muito romantizada pela imprensa, que vê em qualquer coisa o dedo do PCC", disse.

Para Serra, a contribuição que o governo estadual dá no combate ao desemprego é o esforço para manter os investimentos em infraestrutura no Estado em R$ 20 bilhões neste ano.

Mas novas medidas para combater a crise serão anunciadas nos próximos dias. Serra se reuniu ontem com integrantes da sua equipe econômica, além do vice-governador, Alberto Goldman, e do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. Eles discutiram medidas que podem ser tomadas para minimizar o impacto da crise, principalmente no emprego. Está em estudo acelerar obras e propor isenções ou reduções de impostos em áreas estratégicas.

Dados do Observatório do Emprego no Estado mostram que as demissões se concentraram na indústria da transformação e na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo o secretário de Emprego, Guilherme Afif Domingos, as ações do Estado terão como objetivo principal incentivar também o investimento privado.

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