Os piratas somalis que pedem US$ 25 milhões de resgate pelo superpetroleiro saudita Sirius Star - seqüestrado há dez dias na costa do Quênia com US$ 100 milhões em petróleo e 25 tripulantes a bordo - explicaram ontem que isso não é outra coisa que um negócio e o ataque foi realizado apesar de todos os somalis terem um grande respeito pelo santo reino da Arábia Saudita. A declaração - feita por telefone à agência de notícias France Presse por um suposto líder corsário, Mohamed Said - teve endereço certo: o grupo radical islâmico Al-Shabab que, na sexta-feira, ameaçou tomar o porto de Harardera, usado como ancoradouro pirata, e fazer algo a respeito do superpetroleiro saudita.

"A Arábia Saudita é um país muçulmano e seqüestrar seu navio é crime mais grave do que seqüestrar outros", declarou o líder islâmico somali Abdirahim Isse Adow na primeira ameaça feita contra aos piratas. No fim de semana, testemunhas disseram que já tinham visto militantes do Al-Shabab revirando o porto de Harardera em busca dos corsários.

Desde fevereiro, o grupo radical islâmico Al-Shabab figura na lista do governo americano de organizações terroristas acusadas de manter laços com a rede Al-Qaeda.

Como a Somália é considerado um Estado falido desde 1992, grupos armados como o Al-Shabab exercem controle sobre amplas partes do território somali, aplicando a lei de acordo com decisões de seus líderes.

Apesar das ameaças do Al-Shabab e da intensa mobilização de navios das maiores potências mundiais na região do Golfo de Áden, os piratas somalis parecem não se intimidar. "Se alguém tentar nos atacar, será um suicídio", disse o pirata Said.

Desde janeiro, mais de 90 embarcações foram seqüestradas na região próxima da Somália e pelo menos 14 navios ainda são mantidos em poder dos piratas, à espera de resgate.

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