Os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), que participaram hoje de reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defenderam a utilização de uma política fiscal mais agressiva no gasto como instrumento de ação para reverter a crise. Segundo eles, o mundo inteiro está utilizando a combinação de maior gasto público com cortes de juros para reverter o processo de queda na atividade econômica.

Segundo Jereissati, o ministro Mantega não disse explicitamente que vai reduzir a meta de superávit primário (economia do governo para o pagamento de juros da dívida pública). "Ele disse que as receitas estão caindo bastante, mas disse também que o governo está disposto a fazer o necessário para a atividade econômica não cair, mantendo e ampliando os investimentos. Então, está implícito que o (resultado) primário não é prioridade", afirmou o senador tucano. "Hoje, eu não tenho dúvida de que o governo tem de fazer isso mesmo: utilizar a política fiscal e reduzir os juros", acrescentou Jereissati.

Mercadante, que também é líder do PT no Senado, afirmou que a atual crise exige a combinação de uma política fiscal que amplie os investimentos e de uma política monetária que reduza significativamente a taxa de juros. Mercadante argumentou que, no ano passado, a dívida pública caiu e isso abriu espaço para o governo atuar de maneira anticíclica, reforçando os investimentos. "O gasto público é o melhor instrumento de reversão da recessão", afirmou o senador, que voltou a defender a manutenção do controle dos gastos correntes. "O superávit primário hoje é uma variável de ajuste. O que não podemos é aumentar o gasto corrente, mas políticas sociais para proteger os mais pobres e os investimentos, especialmente do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), vão continuar tendo dinheiro. O que for necessário para aumentar o investimento, o governo fará", disse.

Habitação

Jereissati informou que o ministro Guido Mantega comunicou aos senadores da Comissão Especial de Acompanhamento da Crise Financeira Internacional e Empregabilidade que apresentará, dentro de 10 dias, medidas legislativas para reduzir a burocracia no setor habitacional. Segundo Jereissati, a construção civil é uma das alavancas para evitar a redução do emprego e é preciso diminuir a burocracia da Caixa para que os financiamentos habitacionais ocorram.

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