O pacote de estímulo econômico que será votado na semana que vem no Senado americano deve conter emenda protecionista exigindo que todo o ferro, aço e produtos manufaturados usados em projetos do pacote sejam made in USA. A proposta, do senador democrata Byron Dorgan, prevê que os US$ 887 bilhões que o Senado deve aprovar para ressuscitar a economia americana sejam destinados exclusivamente a fornecedores americanos, segundo documento obtido pelo Estado.

O Senado vai acrescentar US$ 68 bilhões em cortes de impostos ao plano de US$ 819 bilhões aprovado pela Câmara.

Trata-se de medida ainda mais restritiva do que a aprovada pela Câmara na quarta-feira, que exige que todo o aço e ferro usados em obras do pacote sejam americanos, respeitando o "Buy American Act" (legislação para as compras governamentais dos Estados Unidos, que dá preferência a produtos fabricados naquele país). "Isso significa que praticamente tudo que usarem nesses quase US$ 900 bilhões vai ter de ser americano, ou seja, as empresas brasileiras perdem uma oportunidade enorme", disse Diego Bonomo, diretor executivo do Brazil Information Center, entidade que representa empresas brasileiras nos EUA. "Fora que se trata de mais um sinal negativo do aumento de protecionismo no mundo."

O senador comemorou a inclusão da emenda. "A provisão compre americano que eu consegui incluir na legislação vai fazer com que muita gente recupere o emprego e vai estimular nossa economia. Quando o dinheiro do contribuinte é usado, ele deve apoiar coisas produzidas aqui na América."

Economistas e grandes indústrias americanas desaprovam a medida, que consideram protecionista, e veem potencial para retaliação de parceiros comerciais. Economistas apontam o benefício econômico duvidoso - obrigado a se apoiar em fornecedores domésticos, o governo pode pagar mais caro.

Mas os setores beneficiados, como a indústria siderúrgica, comemoraram.

"Ficamos felizes com a aprovação do pacote na Câmara e com novas pesquisas que mostram apoio maciço do público a um pacote de estímulo que exige produtos feitos nos Estados Unidos", disse o presidente do Instituto Americano de Ferro e Aço, Thomas J. Gibson. "Especialistas em comércio confirmam que o compre americano não desrespeita as regras da OMC; a sugestão de que a medida é protecionista é completamente errada."

Porém, a medida de proteção deve passar no Senado e virar lei, lamenta Bonomo. Por enquanto, quem mais perde é a indústria siderúrgica brasileira, que exportou US$ 545 milhões em aço aos EUA no ano passado e poderia abocanhar parte do aço para as obras. O plano inclui US$ 275 bilhões em corte de impostos e US$ 550 bilhões em gastos do governo em estradas e pontes, energia alternativa, tecnologia de saúde, assistência ao desemprego e ajuda a Estados e municípios.

Se a proposta de Dorgan for aprovada, vários exportadores brasileiros perderão. Segundo Bonomo, o Brasil não faz parte do acordo plurilateral de compras governamentais, e por isso não poderá recorrer. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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