Executivos do Goldman Sachs foram acusados ontem de "comportamento antiético" e de "enganar seus clientes para aumentar os lucros" do banco. O CEO da Goldman, Lloyd Blankfein, e mais seis executivos e ex-funcionários foram massacrados em mais de nove horas de audiência no Senado americano.

Executivos do Goldman Sachs foram acusados ontem de "comportamento antiético" e de "enganar seus clientes para aumentar os lucros" do banco. O CEO da Goldman, Lloyd Blankfein, e mais seis executivos e ex-funcionários foram massacrados em mais de nove horas de audiência no Senado americano. O líder do comitê de investigação, senador Carl Levin, divulgou e-mails em que os executivos do Goldman chamavam de "monte de porcaria", "lixo" e "negócio de merda" os produtos que vendiam a seus clientes. E-mails e documentos mostram também que, enquanto vendiam os "montes de porcaria", os executivos faziam apostas contra os mesmos produtos, na chamada posição "short", prevendo que os papéis teriam queda de valor. "Você vendeu milhões desse produto mesmo depois de seus funcionários dizerem que era um negócio de merda. Isso não te incomoda?", perguntou Levin a Daniel Sparks, que era o chefe da divisão de hipotecas do Goldman entre 2006 e 2008. Levin se referiu a um e-mail enviado por Thomas Montag, chefe de vendas da Goldman, a Sparks. No e-mail, Montag diz: "Cara, esse Timberwoolf era um negócio de merda". O Timberwolf era um produto composto por CDOs, papéis lastreados em hipotecas de alto risco, avaliados em US$ 1 bilhão. Cinco meses após o lançamento do produto, os CDOs haviam perdido 80%. Em outro negócio, um executivo da Goldman, Tetsuya Ishikawa, diz que um cliente não queria comprar um produto porque "é esperto demais para comprar esse lixo". Acusações falsas. Os senadores abordaram também o produto chamado Abacus 2007-AC1, investigado pela Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos EUA. O francês Fabrice Tourre, diretor executivo do Goldman e alvo de investigação da SEC, disse que "nega categoricamente" todas as alegações da comissão. "Vou me defender pessoalmente no tribunal contra essas acusações falsas." No início de 2007, o Goldman criou o Abacus, formado por papéis (CDOs) lastreados em hipotecas de alto risco. Mas o banco e Fabrice são acusados pela SEC de não revelar a clientes como IKB Deutsche Industriebank que o fundo hedge Paulson & Co havia escolhido os papéis que faziam parte do produto. E que Paulson apostava que os preços desses papéis iam cair. O Abacus causou prejuízo de US$ 1 bilhão a investidores como o IKB (Paulson lucrou, porque apostava no calote das hipotecas). Tourre diz que revelou, de alguma maneira, a participação de Paulson na escolha dos papéis. Após o depoimento, ele foi perseguido por manifestantes vestidos como presos, com cartazes de "Procura-se" e fotos dele e de Blankfein. Tourre está em licença remunerada pelo Goldman depois que a SEC anunciou o processo contra ele, em 16 de abril. Segundo Levin, o Goldman lucrou US$ 3,7 bilhões em 2007 com suas apostas de que o mercado de hipotecas ia cair e contra alguns dos produtos que o próprio Goldman havia criado. Os executivos questionados pelos senadores não se mostraram arrependidos. "Arrependimento para mim é algo que você sente quando fez algo errado... Eu não tenho isso", disse Sparks. A maioria argumentou que os investidores que compravam os papéis sabiam dos riscos. O CEO do Goldman, Lloyd Blankfein, foi o último a ser questionado e seguiu a mesma linha, de que há preço para qualquer papel e os compradores sabiam o que estavam comprando. Ele disse discordar "da ação da SEC, embora reconheça que essas transações complexas podem ser vistas como símbolo de uma Wall Street fora de controle".

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