SÃO PAULO - A segunda-feira começou com uma promessa de bolsa acima dos 68 mil pontos e dólar abaixo de R$ 1,80. A instabilidade do mercado americano, no entanto, acabou falando mais alto e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa e o dólar a R$ 1,811.

Com outra dinâmica, os juros futuros acumularam prêmio de risco.

Sem indicadores relevantes na agenda doméstica e externa, o dia foi morno tanto em Wall Street quanto no Brasil. Os indicadores oscilaram muito, mas a amplitude de ganhos e perdas foi limitada.

Sem força para caminhar sozinha, a Bovespa apenas amplificou durante todo o dia o sinal proveniente do mercado americano. Como as vendas cresceram por lá no fim do pregão, o Ibovespa terminou a jornada com recuo de 0,61%, aos 67.184 pontos. O giro ficou em R$ 5,68 bilhões. Na máxima, o índice bateu 68.119 pontos.

Em Wall Street, o dia foi errático até as vendas aumentarem um pouco no fim da sessão. Após quatro dias de valorização, o Dow Jones cedeu 0,18%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq caíram 0,10% e 0,08%, respectivamente.

No câmbio, o dólar fez mínima a R$ 1,798 pela manhã, mas os compradores logo apareceram conforme a cena externa se tornou indefinida. Com isso, o divisa fechou com apreciação de 0,33%, negociada a R$ 1,809 na compra e a R$ 1,811 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,23%, para R$ 1,8091. O volume caiu de US$ 47,75 milhões, na sexta-feira, para US$ 42,5 milhões. Já os negócios no interbancário recuaram de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,7 bilhão.

Nos juros futuros, o novo aumento nas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimulou o acúmulo de prêmio em alguns vencimentos.

Segundo o Boletim Focus, a mediana das estimativas aponta inflação oficial de 4,86% no fechamento de 2010, contra 4,80% na medição anterior. Esse foi o quinto ajuste consecutivo.

" A alta da expectativa de inflação está muito em linha com os indicadores divulgados nas últimas semanas, e acabou compensando a última ata do Banco Central, que deu uma visão um pouco mais benigna sobre a inflação " , comentou o sócio da InvestPort, Dany Rappaport.

Para a instituição, o BC já deve iniciar o aperto monetário no próximo encontro, marcado para os dias 16 e 17 de março, com um aumento de 0,25 ponto percentual da Selic, para 9,0% ao ano. Uma elevação mais rápida da taxa, segundo Rappaport, diminuirá a necessidade de uma grande elevação, o que poderá resultar numa extensão de 200 a 250 pontos de alta da Selic ao longo do ciclo.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subia 0,03 ponto percentual, a 9,21%, enquanto o DI para abril avançava 0,015 ponto, a 8,72%.

Na ponta mais longa da curva, também apresentavam acréscimos os contratos de janeiro de 2011, com elevação de 0,05 ponto, a 10,33%, e o do mesmo mês de 2012, com elevação de 0,02 ponto, a 11,43%. Já os DIs de janeiro de 2013 e de 2014 recuavam 0,05 ponto e 0,06 ponto, respectivamente a 11,87% e a 12,16%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 601.945 contratos, equivalentes a R$ 53,576 bilhões (US$ 29,574 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 255.240 contratos, equivalentes a R$ 23,446 bilhões (US$ 12,942 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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