Por Vanessa Stelzer SÃO PAULO (Reuters) - O IGP-DI teve em agosto a primeira deflação em dois anos e meio e a previsão do mercado para a inflação oficial deste ano caiu pela sexta vez. Os dados divulgados nesta segunda-feira, no entanto, não devem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a desacelerar o ritmo do aperto monetário na reunião desta semana.

Isso porque é possível que a deflação não se prolongue, conforme sugeriu o IPC-S divulgado também nesta manhã, e porque a estimativa para a inflação de 2009 segue acima do centro da meta.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central,, a estimativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu a 6,27 por cento, ante 6,32 por cento na semana anterior. Para 2009, a estimativa permaneceu em 5,0 por cento pela oitava semana.

'A despeito da melhora observada no quadro inflacionário...

julgamos que o Copom manterá o passo mais forte e elevará a taxa Selic para 13,75 por cento', avaliou em relatório Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento.

'Afinal, a variação esperada para o IPCA no próximo ano...

ainda se encontra acima (do centro) da meta, não obstante as declarações da autoridade monetária de que fará o necessário para que a inflação de 2009 convirja para o patamar. Ou seja, ainda há desconfiança por parte dos agentes de que o BC não cumprirá a meta de inflação.'

O Focus também mostrou que o mercado continua apostando que a alta da Selic nesta semana será de 0,75 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano. Uma pesquisa da Reuters feita na semana passada apontou o mesmo: todos os 23 analistas ouvidos esperam esse ritmo de aperto monetário.

Para as demais reuniões deste ano (outubro e dezembro), a perspectiva é de aumento de 0,50 ponto cada, segundo a sondagem da Reuters.

No ano que vem o mercado prevê queda. Segundo o Focus, as instituições reduziram o prognóstico para a Selic em 2009 de 14,0 para 13,75 por cento, após cinco semanas de estabilidade.

DEFLAÇÃO X INFLAÇÃO

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou pela manhã que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,38 por cento no mês passado --primeira deflação desde março de 2006--, ante alta de 1,12 por cento em julho.

Os alimentos foram o destaque de queda, refletindo as menores cotações das commodities no mercado internacional e também o ajuste local depois de fortes aumentos.

Entre os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços por Atacado (IPA) declinou 0,80 por cento em agosto, ante alta de 1,28 por cento em julho. O IPA agrícola caiu 5,09 por cento, após avançar 1,14 por cento no mês anterior.

Além de analistas acreditarem que essa deflação do IGP-DI será revertida nos próximos meses, possivelmente já em setembro, outro indicador divulgado pela FGV mostra que a queda do atacado não se estendeu para o varejo.

A inflação pelo IPC-S acelerou para 0,20 por cento na primeira prévia de setembro, ante alta de 0,14 por cento no fechamento de agosto.

(Edição de Daniela Machado)

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