SÃO PAULO - O presidente da Claro, João Cox, disse hoje que as vendas da operadora em janeiro deste ano foram melhores que as do primeiro mês de 2007, quando atraiu 289 mil clientes em termos líquidos (já descontados os cancelamentos). E fevereiro também começou bem, afirmou o executivo, que não revelou quantos assinantes a Claro conquistou.

No fim do ano passado, a operadora tinha 38,7 milhões de clientes.

Segundo ele, ainda é cedo para saber se a alta nas vendas foi um movimento específico da Claro ou das operadoras em geral. Os números do setor em janeiro serão conhecidos provavelmente daqui a duas semanas, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve divulgar o balanço do mês.

O executivo fez a ressalva de que os dois primeiros meses de cada ano são "atípicos" - costumam ser mais lentos por causa das férias e do menor número de dias úteis.

Segundo Cox, a operadora ainda não percebeu o efeito da crise econômica em suas vendas e nos índices de inadimplência. "A gente ouve falar de crise, mas até agora ela não bateu na nossa porta", destacou.

O presidente da Claro reiterou que a operadora deve manter, em 2009, o patamar de investimentos feito no ano passado - da ordem de US$ 1 bilhão, sem contar o valor desembolsado na aquisição das licenças de terceira geração (3G). "Se for para mudar esse valor, é para cima, para acompanhar o crescimento da base de assinantes."
Na avaliação dele, o mercado de celulares deve repetir, em 2009, o crescimento alcançado no ano passado nas adições de clientes, em números absolutos. Foram habilitados quase 30 milhões de telefones móveis no Brasil em 2008, dos quais 8,5 milhões pela Claro.

O executivo observou que a crise impõe um desafio maior para os fabricantes de aparelhos do que para as operadoras de telefonia, já que a alta do dólar pressiona os custos de fabricação dos celulares.

Apesar disso, o executivo afirmou que a Claro não deve mudar sua política comercial - a operadora vende um grande volume de celulares a preços subsidiados. "Não estou vendo isso com preocupação. A Claro representa uma parcela substantiva do que se vende de aparelhos no Brasil e na América Latina, por isso tem acesso diferenciado aos fornecedores", ressaltou.

A empresa apresentou hoje seus números do quarto trimestre do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 9,3% na comparação com o período de outubro a dezembro de 2007, passando de R$ 675 milhões para R$ 615 milhões.

(Talita Moreira | Valor Econômico, para o Valor Online)

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