O governo estadual pretende ser um indutor de projetos de minério de ferro e gás natural no norte de Minas Gerais. O Estado está convencido de que os projetos para o estabelecimento de uma nova província mineral na região só vão deslanchar caso seja criada uma infraestrutura para o escoamento da produção.

A criação do polo está inserida em um dos projetos estruturadores do governo estadual. "É uma região considerada prioritária, porque tem um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) bem pequeno", observou o subsecretário de Desenvolvimento Minerometalúrgico e Política Energética do Estado, Paulo Sérgio Ribeiro.

Ex-diretor da Vale, que atuou durante anos na área de prospecção e pesquisa, Ribeiro destaca que o baixo teor de ferro das jazidas identificadas pode ser compensado pelo volume das reservas. Para isso, será necessário atrair para a região investimentos para a concentração.

Segundo Ribeiro, o teor comercial de minério de ferro para utilização industrial tem de ser de pelo menos 65%. No norte de Minas, esse teor varia de 20% a 35%. "Realmente, tem que ter um bom volume", destacou. "Por isso, será preciso concentrar esse minério e isso agrega muito valor. Exigirá plantas mais sofisticadas para concentração e beneficiamento."
De acordo com o subsecretário, para uma boa taxa de retorno, em média, é necessário que a mina tenha uma vida útil de pelo menos 20 anos.

Ribeiro acredita que os empreendimentos previstos poderão resultar na criação de 5 mil a 10 mil postos de trabalho. Mas, para viabilizar a implantação do novo polo, a principal aposta está na construção de ferrovia interligando o norte de Minas aos portos da Bahia.

Os prefeitos querem evitar que vingue a ideia de que o minério extraído no local seja transportado por meio de um duto, o que impediria a atração de empreendimentos siderúrgicos, de ferro-gusa e o plantio de florestas de eucalipto.

"Quando a ferrovia perde para o duto de minério, já se descarta a possibilidade de agregar componente social, justiça econômica. O minério, passando por um duto, não vai trazer para aqui uma indústria siderúrgica", disse o prefeito de Salinas, José Antônio Prates (PTB).

"Nosso IDH é muito baixo e a maioria dos municípios aqui vive apenas dos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios)".

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