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SÃO PAULO ¿ Recém-admitida como vendedora temporária no shopping Aricanduva, na zona leste da capital, Karla Maria Freire, de 20 anos, já faz planos de como irá gastar o dinheiro extra do final do ano. ¿Tenho um filho de seis anos que nunca foi para a praia, acredita? Eu quero muito levá-lo¿, contou. Karla, que já trabalhou em outra loja do mesmo shopping durante o período de Natal, esforça-se para conseguir ficar mais do que os dois meses que o seu contrato prevê. ¿O que mais quero é ser contratada¿, disse.

Já o seu colega de loja Fabrício Faustino, de 19 anos, quer gastar parte do salário nas comemorações de ano novo, quando deve viajar para Ilhabela, no litoral Norte de São Paulo. Ao contrário de Karla, que disse ter distribuído diversos currículos sem sucesso, Fabrício foi chamado por três lojas e escolheu onde trabalhar. Aqui faz meu estilo, procurei porque gosto da marca. Sempre comprei na loja e já conhecia todo mundo, afirmou.

A história de Karla e Fabrício deve se repetir, segundo dados da Associação Brasileira de Shoppings (Alshop), para pelo menos 112.400 pessoas. Esta é a estimativa da associação para contratos temporários neste fim de ano ¿ um crescimento de 15,8% em todo o País em relação a 2007. Em São Paulo, diz a associação, serão 15 mil vagas. No Rio, 4 mil.

Arte/US
Fonte: Asserttem

Fonte: Asserttem

Distante da crise

A crise financeira mundial não deve atingir as vendas no que depender das previsões do gerente da loja Central Surf, Cléber Perfeito. Esperamos crescimento de 15% a 20% nos lucros em comparação a 2007, disse. Segundo ele, a rede formada por 14 lojas em São Paulo, deve preencher 280 vagas temporárias. [A crise] prejudicou o mercado automobilístico e de imóveis. Para o nosso foi até melhor, porque o que vai vender mais é roupa, acredita.

Apesar de a previsão ter sido feita antes de estourar a crise econômica mundial, o diretor de relações de mercado da Alshop, Luis Augusto da Silva, considera que a tendência de crescimento deve se manter. A expectativa de vendas é muito boa e as lojas ainda têm estoque a preços antigos, afirmou.

A previsão dos lojistas também é revelada no estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), a pedido da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Assertem). A pesquisa mostra que, com a crise financeira, o consumidor deverá gastar menos, mas não deixará de comprar. O consumidor pode substituir um produto por outro mais barato, mas o consumo vai ocorrer e o comércio não tem como diminuir as contratações, afirmou Junior Chavari, presidente do Ipema.

Ainda assim a Asserttem está mais cautelosa e espera um aumento menor de contratações para este fim de ano do que o previsto pela Alshop. Para a associação, haverá aumento de 8% nas vagas de trabalho temporário este ano (de 2006 para 2007, o crescimento foi de 15%).

Segundo o diretor de comunicação da Assertem, Vander Morales, uma previsão igual seria irreal. Antes de qualquer sintoma da crise, fizemos uma previsão bastante realista. No ano passado, tivemos um índice de efetivação alto, então, avaliamos que não haverá necessidade de aumento do quadro, afirmou. Conforme a Associação, 34% dos temporários de 2007 foram efetivados.

Este é o caso da loja BMart Baby, do Shopping Center Norte, que aumentou o número de funcionários fixos e diminuiu os temporários, como explica a gerente Sheila Angélica de Araújo: ano passado foram oito temporários e este ano contratamos cinco, mas a loja está com o mesmo total de 25.

Oportunidades de ponta a ponta

Mas a expectativa é boa, dizem os lojistas, e as oportunidades existem de ponta a ponta do País. Em São Paulo, o Shopping Aricanduva, que é o maior do País em área construída, segundo a Alshop, prevê a contratação de 1600 temporários, o mesmo número do ano passado. Já o Center Norte, o maior em público, deve admitir cerca de mil pessoas. De acordo com Gabriela Baumgart, gerente de marketing do shopping, a expectativa é de um aumento de 12% no volume de pessoas para os meses de novembro e dezembro.

No Rio de Janeiro, são mais de 3 mil vagas nos shoppings Novo América, Shopping Tijuca e Norteshopping. No Barra Shopping, na zona oeste da cidade, serão 1,2 mil vagas. No Via Parque, 350 vagas. No Rio Sul, em Botafogo, a estimativa é de um aumento de 15% no quadro de funcionários.

A boa notícia agrada o estudante de publicidade Max da Silva Velon, de 22 anos, que já faz planos com o dinheiro que ainda não ganhou. No fim de ano, as lojas vendem muito e é bom para garantir o dinheiro para as compras de Natal, comemora. Se tiver a chance de ser efetivado, eu vou aceitar.

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