Pequim, 2 fev (EFE).- A crise econômica mundial deixa sua marca na fábrica do mundo, e mais de 20 milhões de imigrantes rurais internos que trabalhavam nas indústrias chinesas já perderam seu emprego, segundo dados do Ministério da Agricultura expostos hoje durante entrevista coletiva em Pequim.

A pesquisa foi elaborada em 150 municípios de 15 províncias pelo Governo chinês antes da celebração do Ano Novo do Horóscopo Chinês or?(soH(neste ano, em 26 de janeiro), quando tradicionalmente os imigrantes retornam a suas cidades de origem.

O diretor do Escritório do Grupo Central de Trabalho Rural, Chen Xiwen, afirmou que cerca de 15,3% dos 130 milhões de trabalhadores imigrantes da China retornaram a suas terras natais sem trabalho.

No entanto, outros órgãos contabilizam mais de 200 milhões de imigrantes desempregados no gigante asiático por esta razão.

A taxa oficial de desemprego "urbano" no final de 2008 ficou em 4,2%, o nível mais alto desde 2003, e isso sem incluir os mencionados milhões de camponeses que viajam para as grandes cidades em busca de trabalho e que não são registrados neste índice.

Segundo um estudo da Academia Chinesa de Ciências Sociais (Cass), caso se inclua essa massa de imigrantes, o índice real de desemprego na China chega a 9,4%.

O diretor do Escritório do Grupo Central de Trabalho Rural divulgou estes números durante a apresentação do primeiro documento do ano 2009 elaborado conjuntamente pelo Conselho de Estado (Executivo) e pelo Comitê Central do Partido Comunista da China.

No texto, Pequim ressalta a importância de impulsionar a agricultura e o setor rural em resposta à crise econômica.

A queda da demanda externa obrigou o fechamento de milhares de pequenos fábricas de manufaturas no litoral chinês, causando numerosos protestos dos operários.

O próprio Governo reconheceu que, durante 2009, a China viverá "possivelmente seu ano mais duro" em termos econômicos desde o início do novo século, e apostou em melhorar a agricultura como motor de mudança.

O próprio presidente Hu Jintao alertou dias atrás para o risco de instabilidade social devido ao impacto da crise financeira na China.

Alguns analistas alertam para do crescente risco de conflitos sociais como consequência do aumento do desemprego na China, um perigo que até agora o Executivo tratou com mão dura, censura e uma campanha de prisão de dissidentes e ativistas iniciada já antes dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Os sociólogos da Cass -instituição ligada à Presidência chinesa- alertaram em dezembro que os conflitos devem crescer.

Além do desemprego, a recessão vem afetando a China -terceira economia mundial, atrás somente dos Estados Unidos e do Japão- com uma desaceleração econômica, um enorme risco de deflação no atual trimestre e uma diferença cada vez maior entre ricos e pobres.

No último trimestre de 2008 o crescimento do PIB ficou em 6,8%, fazendo o dado de crescimento anual cair para 9%, depois de mais de 50 anos avançando em índices de dois dígitos.

Por esta razão, o Conselho de Estado e o Comitê Central do Partido Comunista lançaram um pacote de medidas centradas no setor rural, com o objetivo de relançar a agricultura e a capacidade aquisitiva dos camponeses.

Cerca de metade dos mais de 1,3 bilhão de habitantes da China vive em áreas rurais, até agora pouco desenvolvidas em contraste com o pujante litoral. EFE gmp/jp

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